março 12, 2017

Spaghetti alla Bottarga [Espaguete com butarga] e um pouco de Palermo

A Sicília é uma das regiões italianas que mais tenho curiosidade em conhecer. Não sei se é o fato de que ela não é o estereótipo daquilo que conhecemos como Itália, o Bel Paese, e ter para mim um grande toque de exoticidade. Gosto da literatura em sua grande sensualidade e mistério em seus autores (e autoras!). Gosto dos dialetos, que para mim soam quase como línguas do Oriente Médio, e claro, a gastronomia que sem sombra de dúvidas é aquela da qual mais me aproximo, embora eu muito pouco use peixes e frutos do mar na minha cozinha. Já falei isso aqui no blog faz tempo, mas geralmente quando simpatizo com uma receita quase sempre ela é siciliana. E foi por este interesse que em fevereiro do ano passado consegui um estágio de 10 dias em uma osteria em Palermo, a Osteria Pantelleria. E foi uma super experiência!

Eu não vou escrever tudo que gostaria sobre meus dias em Palermo neste post. Trarei aos poucos outras receitas que aprendi lá e vou contando como foi a experiência. Eu simplesmente amei a cidade, as pessoas, a comida e estou me organizando para voltar tão logo possa. Deixo agora apenas umas fotinhos do Ballarò, o mercado-feira que acontece todos os dias na cidade, que é maravilhosamente estranho e encantador.





Mas estou falando da Sicília porque é de lá que vem esta receita de espaguete com butarga, um prato típico e considerado um mantra da cozinha siciliana. Nham!

A bottarga, em português butarga, são ovas de atum ou de tainha, salgadas e desidratadas. Aliás, aqui no Brasil, em Santa Catarina, a produção de butarga de tainha está excelente. Se você ainda não conhece este ingrediente, e se você gosta de sabor de mar, super recomendo. Geralmente é encontrada em delicatessen. É fácil e simples de usar. Quer ver?

Spaghetti alla bottarga

Ingredientes para 2 pessoas (como prato único)


200 gramas de espaguete
30 gramas de farinha de rosca
01 cebola média bem picadinha
01 limão siciliano - raspas
40 gramas de butarga ralada- usei de tainha
Azeite
Sal e pimenta a gosto


Em uma frigideira coloque um fio de azeite e toste a farinha de rosca. Reserve. 
Enquanto a massa cozinha em bastante água, refogue, numa panela que comporte bem a massa, a cebola, acrescente as raspas de limão, o sal e a pimenta e coloque uma concha da água do cozimento da massa. Baixe o fogo. Massa al dente, escorra reservando um xícara de água quente. Coloque na panela do refogado, misture para incorporar os sabores, se necessário acrescente um pouco da água do cozimento. Adicione a butarga, misture, e por último a farinha de rosca tostada. Atente que este ingrediente deve ser o último, para que a farinha mantenha a crocância e o sabor e não fique muito úmida até que seja devorado o prato.




Sobre as fotos do blog: pessoal, neste meu retorno ao blog não me dedicarei tanto às fotos. Óbvio que elas terão o cuidado que sempre procurei ter, mas não tenho mais como ficar horas produzindo, criando cenários e tals. Me dei por derrotada e sei que não possuo a técnica necessária que me deixe de fato satisfeita. Logo, serão fotos mais espontâneas, menos produzidas, ok?!



março 04, 2017

Fave Pizzicate [Favas cozidas com legumes] e amiga talentosa

Como contei no post anterior estava de férias e os últimos dias delas foram curtidos em Minas Gerais, em Uberlândia na casa da Alice Gussoni.

A Alice, ah, a Alice!

A Alice é uma grande amiga com quem tenho dividido muitas coisas, entre elas o amor pela gastronomia e pela Itália. Conheci através do seu irmão, o Marcel do blog Sabor Sonoro e, há uns três anos, temos convivido bastante. O nosso interesse por comida e italianidades nos aproximou e desde então temos nos divertido não só entre as panelas. Quem nos acompanha no Facebook e no Instagram sabe que já aprontamos algumas: já fizemos piquenique chique nas areias de Capão da Canoa, já saltitamos pelo Vale do Vinhedos, alguns passeios por Porto Alegre, aprontamos algumas na época do Armazém Artusi e, para resumir, o quarto de hóspedes aqui de casa é praticamente dela. Só falta o enxoval - coisa que vou providenciar, principalmente com roupas de inverno, porque a guria já passou uns frios danados por aqui. 

Acontece que fazia tempo que queria ir para Minas passar um tempo com ela e fui em fevereiro. 

(Pausa para secar a lagriminha que escorreu aqui: que saudade dos gêmeos Caio e Théo!!!)

Foram mais de quinze dias curtindo a Alice e os guris, os gêmeos mais fofos do mundo, que dizem "tia Carla" da maneira mais arrebatadora que você pode imaginar. Foram 15 dias imersa em um mundo de pessoas muito (muito!) legais, aquarelas, conversas sensasionais e claro, comidinhas. 

Para quem não sabe a Alice é artista plástica e eu pude vivenciar nestes dias muitas obras sendo criadas. Dois dos meus maiores amores nas artes são a aquarela e a cerâmica, duas técnicas que ela domina lindamente. Vi nestes dias sairem pássaros de folhas em branco, girassóis brotando em cantos de folhas, poemas ilustrados que fundiam não só as cores aguadas mas também a forma e a palavra. 
Eu só não ficava olhando hipnotizada, mas tentando disfarçar meu encantamento para ela não achar que sou louca e repensasse o convite para eu ficar lá por uns dias. É tudo lindo, gente, lindo. Sou fã!

Para o Armazém ela já havia feito um painel lindo que trouxemos para casa, além da capa de um dos Almanaques Artusi e outras ilustrações que guardo com todo carinho. E agora é dela a nova arte do blog. São delas os limões sicilianos tão elegantes e clean. É dela meu avatar, quase enigmático. 

 A nova identidade visual do Cucina Artusiana ficou linda. Alice, gratidão!

Lá no meio dos dias ela me disse que tinha umas favas secas e que poderíamos usar para alguma receita específica. Lembrei vagamente de uma receita siciliana e fui atrás. É muito simples. É basicamente favas cozidas em um refogado de legumes. O detalhe da nossa receita  fica pelo ora-pro-nobis, que utilizamos como alternativa às folhas de beterraba ou ainda a couve. Fusion cuisine, meu bem. 

Fave Pizzicate


Ingredientes


400 gramas de favas secas 
01 cebola picada
01 dente de alho picado
01 cenoura pequena picada
01 pedaço de aipo/salsão (a gosto)
03 tomates sem pele e sem sementes - Pode ser tomate pelado
Ora-pro-nobis a gosto (Pode ser folhas como couve, espinafre ou ainda folhas de beterraba)
Sal
Pimenta
Azeite


Atenção: o uso de grãos secos requer o cuidado de deixá-los de molho por, pelo menos, 8h. Se eu puder trocar a água algumas vezes ao longo do dia, melhor.

Cozinhe as favas em uma panela com água até ficarem macias (aproximandamente 1h).
Escorra a água do cozimento e reserve as favas. 

Em uma panela maior refogue no azeite a cebola, o alho, o aipo e a cenoura. (O nome disso é soffritto, lembram?!). Acrescente os tomates e deixe cozinhar em fogo baixo por alguns minutos. Adicione as favas cozidas, tempere com sal e pimenta, cubra com água e deixe formar um molho grosso. Cinco minutinhos antes de servir adicione as folhas de ora-pro-nobis, misture bem e sirva quentinho com um fio de azeite de boa qualidade. 


Cerâmicas e fotografia da Alice Gussoni. Como não amar?

Instagram da Alice Gussoni aqui para você se encantar com a obra dela. 

fevereiro 22, 2017

Acreditem, o blog voltou.

Eu sei, mais uma vez que digo que vou retomar o blog. Depois faço uma postagem, digo que voltei para ficar e vou embora. Mas dessa vez é diferente. Prometo.

Gente, quem me acompanha sabe que vendemos o Armazém Artusi. Sim, vendemos depois de 2 anos. Não dei conta, não. Embora amasse tudo e todos (cada cliente querido, que chega a dar dorzinha no peito de saudade!) eu vi que não era essa a relação que eu gostaria de manter com a gastronomia. Cozinha profissional não é para uma cabeça sempre em devaneios e inquietudes como a minha. Ao mesmo tempo que estava realizada com o sucesso do negócio me frustava por não ter energia para fazer outras coisas, como ler, escrever, pesquisar, fotografar, viajar. Foi duro mas tive que ser honesta comigo e com meu marido-sócio. Vendemos e tivemos uma festa linda cheia de amigos, clientes amados demais, muitas risadas e choro. Saí do negócio com a alma lavada e com a certeza que fizemos a diferença, por dois anos, na vida de cada um que entrava no Armazém: seja por um dedinho de prosa, uma café bebido juntos, um sabor apresentado, um abraço demorado, uma gargalhada daquelas que vem da alma, um bolo saindo do forno, um pão cascudo com azeite degustado ali, em comunhão... E vi isso na nossa festa de despedida que foi uma das coisas mais lindas que já tive na vida. Gratidão eterna por ter podido viver isso.

Me auto declarei em férias em novembro e de lá para cá - estamos em fevereiro-, tenho curtido muito a rua, a vida, os amigos, as festas, as conversas, os passeios, as leituras, os filmes, as músicas. Coloquei a cabeça no lugar, pois precisava de reconectar comigo, com meus desejos e meus projetos. Recebi amigos espanhóis em casa, fiz várias trips com eles pelo Rio Grande do Sul, depois recebi a mineira mais linda da face da terra, e curtimos sol, piscina, praia, amigos, filmes e vídeos bestas no Youtube. Fiz festinha no apê com luzes, fumaça e som alto. José e eu fomos curtir uma micro lua-de-mel numa praia maravilhosa em Santa Catarina e lá encontrei um amigo muito querido que não via há quase 10 anos. Nos intervalos entre uma visita e outra eu me afundei em textos teóricos sobre Análise do Discurso, me reencontrei com o Artusi e estou muito feliz com a possível volta à universidade. Tenho lido tantas coisas bacanas sobre a história da alimentação, sociedade e autoria, coisas para o projeto de mestrado que me deixam muito instigada e com um furor de querer saber mais. Iniciei  também um projeto para ler uma escritora ao mês durante este ano - leituras de ficção, de preferência que tratem sobre o universo culinário-, e tem sido lindo. Agora estou aqui em Minas Gerais, finalizando minhas férias que vão até o carnaval. Já tomei muita pinga, comi muito torresmo, provei pequi e conheci pessoas tão especiais que já estou articulando minha volta a Uberlândia. Até remar de caiaque eu remei. Rá!

Tenho rido muito. Tenho chorado um pouco também. Optar por um caminho é deixar outro de lado, e daí vem o luto, vem a angústia em querer saber se vai dar certo, se não estou velha para isso, se vou ter grana, se vou me realizar profissionalmente, se vou dar conta de ler e escrever tudo que quero, se vou emagrecer os 10 kg que preciso. Enfim, essas coisas.

O fato minha gente, é que a partir de março o blog volta com as receitas italianas abordadas pelo ponto de vista da história, da etimologia, da tradição. O velho blog Cucina Artusiana.

Espero vocês por aqui.

Rica cara de felicidade. (Bento Gonçalves, 2017)


fevereiro 12, 2016

Toscana - Parte 1 - Lucca e Montecarlo

Toscana. Não precisa dizer muito. Não precisa de apresentações.

Vim passar um final de semana em Marginone (Província de Lucca) na casa dos pais de um amigo italiano. Queria conhecer um pouco mais da Toscana, porém não imagina o que estava preparado para mim: um casal muito do querido e cheio de carinho e dedicação às coisas da sua terra.

Mario me recebeu na estação com um sorrisão no rosto. Quando chegamos em casa Adriana me esperava na porta também muito feliz com a minha presença (ai, como não ser feliz e grata?!). A casa...bom, a casa. Feche os olhos e pense em uma casa na Toscana. O que você vê? Uma casa de cor ocre, ciprestes, oliveiras, cheiro de lenha da lareira acessa, pomar com frutas, um vinhedo... Assim?! Foi isso que encheu meus olhos e meu coração (mais?!) quando entramos na villa deles. Me senti num daqueles editoriais de revista de viagem com a seguinte matéria “Um sonho na Toscana”.  Eu só conseguia dizer “ma, che bella casa, cumplimmenti!”, mas dentro de mim era algo como “Puta que pariu! Puta que pariu! Puta que pariu, que lindo!”



Passando meu deslumbre (mentira, não passou ainda), fomos dar uma volta por Lucca. Caminhamos pelos quase 4km de muros e depois fomos almoçar no restaurante Buca di SantAntonio. Lugar de cozinha tradicional luquesa. O cheiro de lenha predominava e a decoração é toda de panelas e utensílios camponeses de cobre.


De chorar de tão lindo e rústico. Na mesa uma festival de coisas deliciosas da cozinha regional.


Eu pedi puntarelli, pois nunca tinha comido e morria de vontade.

Um patê de fígado de frango e pão tostado. Super toscano.

A tríade divina: pão, azeite e vinho.

Tondelli com molho bolonhesa.

Farinata – um espécie de polenta feita com legumes


Para fazer a digestão (sim, comemos e bebemos muito bem!) fomos tomar um café em Pisa. Eu não conhecia. Ficamos um pouco e voltamos para casa para fazer uma siesta fora de hora. Na verdade fomos nos recompor para a próxima parada: restaurante Forassiepe.

O Forrasiepe favorito dos Ciabattari, amigos que me receberam aqui. São já da casa e, para me apresentar a cozinha deles, pediram uma espécie de menu degustação. Só com coisas frescas, do dia. Morri de amor e de sabor.

Não colocarei legenda nas fotos porque não me lembro mais e também não estava muito preocupada em categorizar... Apenas curtir o momento.










Chegamos em casa com cara de quem fez arte e fomos dar uma volta na propriedade. Mario e Adriana produzem vinho e azeite. Sim, eles produzem em pequena escala para consumo próprio, para amigos... Ai, ai. Olhinhos marejados.



Tim-Tim Mario! Tim-tim Adriana!!!!!!!!

(De Toscana, amores meus, teremos mais dois posts! Sim, mais dois posts assim comilões!)


fevereiro 05, 2016

Por mais dias sem compromisso: me perdi, conversei e conheci duas lindezas.

Segundo dia de viagem e hoje foi dia de botar as pernocas para trabalhar. Caminhei loucamente, mais por louca varrida do que por necessário e programado. Saí a procura de alguns mercados que gostaria de conhecer e acabei indo somente a um. Me perdi na ida para o segundo e, parando uma senhorinha para pedir informação, ficamos batendo papo pelas vielas de Roma. Eu, ela e seu cachorrinho Lulu tomando sol de inverno como se não tivéssemos mais nada a fazer... E não tínhamos mesmo. A manhã toda passou entre Mercato Esquilino, duas horas de andaças sem rumo e um longo papo sobre a sociedade italiana com a octagenária Sra. Elena.

Sobre o mercado mais étnico de Roma eu falo num próximo post, pois retorno a Roma no final da viagem e irei a outros três. Sobre meu papo com a senhorinha italiana não há muito o que dizer: as reclamações são as mesmas que nossas brasileiras. Corrupção, pobreza, desemprego, falta de perspectivas etc. Enfim, todos adoramos um mimimi.

Mas Carla, e o resto do dia? Ahhh, tive uma tarde encantadora, vos direi!

Quando publiquei que estava indo para Roma recebi uma mensagem da Gabriela do blog Kitchen Brasita dizendo que poderíamos nos encontrar. Eu que sou facinha e adoro um dedo de prosa fui encontrar esta brasileira que mora há anos na Itália e escreve sobre gastronomia. 

Ela sugeriu que eu a procurasse em Bracciano, cidade da região metropolitana de Roma, onde mora. 
A cidade é uma graça mas mais graciosa e querida é a Gabriela. Uma fofa linda! 



Falamos por horas, trocamos ideias, falamos de comida, de italianos, de brasileiros, da vida. E ainda conheci a cozinha dela que é um amor! 


Amei a ideia das formas na parede.



Rolou até um café com esta crostata deliciosa de maçã. Assim que ela postar a receita no seu blog eu redireciono aqui. 

Gabriela, obrigada pelo carinho e pelo convite. Nos vemos na volta, com certeza!



Comune di Bracciano, cheiro de lenha no ar, casas com muitos vasos de flores e um lago lindo com cisnes.


fevereiro 04, 2016

Roma, aperitivo e Panella

Cá estou eu, depois de exatos 4 anos, de volta à Itália. Infelizmente não ficarei três meses como fique a outra vez. Agora é algo mais objetivo, mais adulto, menos aventureiro. Vim de férias... Umas férias de trabalho.

Quem acompanha o blog sabe que ele está jogado às traças desde que abri o Armazém Artusi. Isso em outubro de 2014 e, 2015, foi um ano de muito lavoro. Muito... Tipo, muito. Então, para dar uma clareada nas ideias, reciclar a criatividade, tirar um pouco o mau humor do couro e claro, comer bem, decidi (mentira, meu marido-sócio-financeiro que disse: tá na hora de ir!) voltar àquele que é meu país do coração.

Hoje cheguei em Roma e é como se eu tivesse tido aqui semana passada. Lembrava de cada cantinho no meu caminho da estação de trem ao hostel. Fiquei feliz em ver que tudo estava ali ainda. Do mesmo jeito. Até mesmo o carinha que me vendeu uma mala com um super desconto depois que contei que a minha tinha desaparecido em Modena. (lembram desta história???). Apenas não localizei, num primeiro momento, o cinema na Piazza della Repubblica. Toparia um filme hoje no início da noite... Enfim.

Mas já que não tem filme, tem aperitivo, esta delícia que fazem os italianos. Aliás o aperitivo poderia ser uma filosofia de vida.Um idelogia, uma prática quase diária. Você trabalha o dia todo e, antes de chegar em casa, passa num bar, pede uma taça de vinho ou um drink e pode se esbaldar jantar num buffet de coisinhas deliciosamente gostosas.

É o que estou fazendo agora, enquanto escrevo.

Vim ao Panella pela indicação de uma amiga (Ilana, grazie!!!). Ela me falou que era uma padaria linda e, quando fui pesquisar sobre o lugar, vi que eles tem o aperitivo. Já estava decidido onde iria nesta primeira noite.

O lugar é todo arrumadinho, moderno. Rola um som meio lounge e as mesas são na rua. Não me parece um lugar turístico, pois reparei que todas as mesas falavam em italiano. 

O buffet é um dos mais bonitos que já vi, cheio de saladinhas, pizze, focaccie, sopinhas creme (a de abóbora italiana fez eu fechar aos olhos ao saborear e usufruir o momento!), bruschette...  15,00 Euros (1 Drink+ buffet).
Peça um spritz e vá ser feliz. Volte para o hotel jantado, levinho pela bebidinha e super de boas. 

Amanhã, se possível, novo post.


Panzanella, Salada mediterrânea, Focaccia com presunto cru e rúcola e sopa de abobrinha

Salada de batata, pimentão e beringela, croquete de peixe e grissini com molho de iogurte e pepino

Spritz, sempre!


Panella - L'arte del pane
Via Melurana, 54
Roma

agosto 03, 2015

Retomada do blog após o Armazém

Praticamente 10 meses depois cá estou eu. Não me aguentei e voltei ao teclado, ao texto, pois aqui também é meu lugar.

Não escrevo no blog desde setembro de 2014 e acredito que a maioria dos leitores daqui sabem o motivo: o Armazém Artusi Gastronomia. Sim, sim. O Artusi se materializou na minha vida e agora toma conta de praticamente todo o meu tempo. Sabem filho novo? Então...Bem assim. 

Abrimos o Armazém em outubro e desde então meus dias (e muitas noites) tem sido dedicados a ele.

É um espaço muito pequeno mas muito, muito fofo aqui no centro de Gravataí. Confesso que estou apaixonada por cada detalhe. Todo dia é uma descoberta...Para o bem ou para o mal. Faz parte, empresária nova aprende na marra. Estou aprendendo a lidar com clientes, fornecedores, prestadores de serviços, funcionários e, principalmente, comigo mesmo, pois toda minha essência (e paciência) é colocada a prova. Como liderar sem ser sacana e chata? Como saber o que meu cliente deseja? Como organizar a loja de uma maneira legal e descolada? Como saber os produtos que comprar? Como saber o que fazer para agradar? Todos os dia são inúmeras perguntas e muitos leões e este começo não foi nada fácil. Cansaço e esgotamento definem, pois eu SÓ QUERIA COZINHAR, e acabei, muitas vezes, nem chegando perto das panelas, só resolvendo pepinos (aff, antes fossem pepinos orgânicos, frescos, daqueles que só uma pitada de sal estão prontos para serem comidos... Não! Eram pepinos metafóricos e cheios de burocracia!). Um mix de sentimentos diários. Uma TPM constante: da possessividade ao desapego. Da tirania à fraternidade. Da euforia à depressão. E agora, o que faço com este lugar?!

Acontece que este lugar, o Armazém Artusi, conta com pessoas muito dedicadas e que se empenham para que tudo dê muito certo. Prova disso é que são 10 meses de portas abertas e 10 meses de sucesso.

José, meu marido-sócio-financeiro, faz toda aquela parte chata que eu, tendo descalculia, não estou apta a meter o bedelho: o financeiro. Planilhas, números, metas e cervejas é com ele. Cerveja, sim! Ué, ele me disse que para fechar o caixa ou elaborar bem relatórios a cerveja é fundamental... Não? Foi o que ele me falou e eu acreditei. Além da burocracia toda é ele que geralmente faz as compras. Supermercados e atacados é com ele. Paciência é com ele. 

A Carla Petiz, minha xará, é minha cozinheira, meu amor, minha flor, minha menina. Tímida e cozinheira de mão cheia ela é capaz de fazer 150 pães numa manhã e ainda sair com algum comentário insano que me faz gargalhar a ponto dos clientes quererem saber o que está rolando na cozinha. Teimosa é ela. Batalhadora é ela. De confiança é ela. 

Carol é minha irmã mais nova. Veio para ajudar no Natal, se apegou à máquina de café expresso de tal maneira que não quis mais sair do lado dela. É nossa aprendiz de barista. Moleca sempre. Imatura às vezes. Só começa o dia depois de escutar "Mais ninguém", da Banda do mar. Continua não sentindo cheiro, continua não comendo nada de verduras. Corre o dia inteiro para dar conta de todas as demandas: clientes, telefone, chefes, curso de inglês... Ela é jovem. Vai conseguir. Está conseguindo.

Elis chegou semanas atrás. Veio para fazer aquela parte que toma conta da vida da gente que trabalha na cozinha: a louça. Ou seja, ela é uma santa. Fico olhando para ela às vezes e pensando que vai chegar o dia que ela vai sair correndo lomba acima gritando que "este povo da cozinha é tudo louco!". Coragem Elis, coragem! 

Então este post é na verdade uma retomada. Uma retomada do blog que, abandonado, me consumia de tanto remorso. Não sei ainda qual será a dinâmica por aqui. Talvez consiga publicar 1 vez ao mês. Talvez mais. Ficaria bem satisfeita se fosse uma nova postagem por semana... Mas daí estou pedindo demais.

Aos leitores que me mandaram e-mails ao longo deste tempo, estou respondendo aos poucos, ok?!




Armazém Artusi Gastronomia

Av. José Loureiro da Silva, 975
Centro - Gravataí - RS

Página no Facebook aqui.












setembro 30, 2014

Fermento Artesanal #15 - 20º ao 27º dia

Mais de uma semana se passou e o que posso dizer sobre o Fermento II é que ele está comendo e dormindo. Ô, vidão!!!!

Gente, meus últimos dias têm sido super corridos e não tive tempo de fazer mais testes de pão. O último foi um fracasso - quem acompanha as postagens no Face e no Instagram viu.


O pão de figos e nozes já na fermentação estava feio para caramba. Tinha tudo para dar certo, mas....



...optou em ficar com casca dura (dura pra caramba!) e cru por dentro. Só consegui surrupiar umas nozes enquanto estava quente, porque o resto não deu para comer. Triste, mas atribuo não ao fermento apenas, mas sim a padeira aqui. Fiz o pão com muita pressa, acabei colocando um pouco mais de água na receita, coisa que não precisava. Enfim, não dei a devida atenção à feitura dele. Paga-se um preço por isso.


Depois deste fracasso não fiz mais teste. Não por birra, mas por falta de tempo mesmo.


ALIMENTAÇÃO:

Nestes últimos dias continuei alimentando o Fermento II com 100 gramas de farinha branca e 50ml de água em temperatura ambiente. Geladeira sempre.


30/9 - 7h00 - 3kg - Ainda não alimentado hoje.

Hoje tecnicamente terminamos o nosso Setembro Temático: Fermento Artesanal, mas ainda quero fazer um fechamento mais completo sobre o tema. Espero que consiga fazer isso ainda nesta semana.







setembro 22, 2014

Fermento Artesanal #14 - 17º, 18º e 19º dia

O pão tipo italiano executado semana passada foi um sucesso. Tinha comentado aqui que achei ele pesado, porém com o passar dos dias ele ficou melhor. Ontem, 3 dias depois de assado, este pão estava sublime. Casca macia, miolo consistente, porém leve.



Nos últimos dias a alimentação mudou um pouquinho:

17º dia - 100 gramas de farinha branco + 50 ml de água
18° dia - 50 gramas de farinha branca + 50 gramas de farinha de centeio + 50 ml de água
19º dia - 100 gramas de farinha branca + 50 ml de água

Usei o centeio para deixar o Fermento II mais divertido.

Amanhã farei um novo teste, agora um pão enriquecido. Usarei figos secos e nozes.

Ingredientes

03 figos grandes
40 gramas de nozes
100 gramas de farinha de trigo branca
45 gramas de farinha de trigo integral
20 gramas de farinha de centeio
03 gramas de sal
65 gramas de isca
130 ml de água morna




setembro 19, 2014

Fermento Artesanal #13 - 15º e 16º dia

Ficou lindo? Ficou! Fiquei olhando para o forno a cada 5 minutos para ver se estava crescendo? Fiquei! Quase chorei quando tirei do forno? Quase. Abri a geladeira e olhei com carinho para o pote onde habita o Fermento II? Abri. 



É muito legal quando a gente confirma que está fazendo certo.
O Fermento II tem 15 dias e tem apresentado bons resultados. Tão jovem e tão competente.

15º dia - ontem:

Para o pão "italiano" usei:


500 gramas de farinha de trigo branca
225 gramas de água
10 gramas de sal
20 gramas de açúcar
250 gramas de fermento artesanal - 1h fora da geladeira.



Retire o fermento da geladeira e separe os 250 gramas da receita. Aproveite para alimentá-lo:
se tiramos 250 gramas, vamos repor esta quantidade em farinha e água: 125 gramas de farinha branca e 125ml de água. Volta para a geladeira.

Misture o sal e o açúcar à farinha. Dissolva o fermento com a água. 
Em uma superfície coloque a farinha, faça um buraco ao centro. Coloque ali o fermento e comece, aos poucos a misturá-lo com a farinha. Quando já estiver todo líquido incorporado faça uma sova até ficar uma massa homogênea. 

Coloque em uma tigela, cubra com pano de prato limpo e deixe repousar por 1h.

Faça a 2ª sova, trazendo as bordas da massa para o centro, girando a tigela para que todo o pão seja sovado. Descanso de 1h.

Repita o passo anterior e molde o pão de forma arredondada. Polvilhe farinha sobre ele.

Coloque em uma cestinha de fermentação (ou escorredor de massa) usando um pano de prato limpo para protegê-lo e deixe fermentar por 8h em lugar sem vento.



Dobrou de tamanho? Ótimo!

Coloque o forno preaqueça o forno a 250ºC. Coloque uma forma no piso do forno e deixe 1/2 xícara de água separada para fazermos vapor dentro do forno.

Passe o pão para uma assadeira e leve ao forno. Jogue a água na forma quente, feche o forno e diminua a temperatura para 200ºC.

Asse por aproximadamente 25 minutos. Confira se está assado batendo embaixo do pão, deve soar oco.
Retire do forno e coloque sobre uma gradinha para esfriar.




OBSERVAÇÕES SOBRE ESTE PÃO:

O miolo não ficou perfeito. Acho que poderia ter ficado mais leve, melhor assado. 
Para isso acredito que eu poderia ter diminuído um pouco mais a temperatura do forno para 180º e aumentado o tempo de forno para uns 30 minutos.

Além disso, poderia ter dividido a massa. Acredito que ficariam pães mais leves, melhores fermentados. 

16º dia - hoje
Alimentação: 100 gramas de farinha branca e 50 ml de água.