Nostalgia

"É só pensar no que mais gostava de comer quando criança e logo sentirá o ar tomado por um inebriante aroma e gosto inesquecível. A boca, invariavelmente, fica cheia d'água. Esse exercício proporciona mais que um simples acesso à memória gustativa. É um mergulho certeiro nas emoções primordiais de uma época em que os laços afetivos são nosso esteio."

Revista Vida Simples, Ed. 110/Out 2011

Muitas das memórias mais queridas que temos vem da mesa: o bolo da avó, o ensopado da mãe, o doce da tia, o assado do pai. Pratos, temperos, cheiros que ficam marcados "a ferro e fogo" e que, quando lembrados, possuem o tom que só a nostalgia pode dar. 

Depois de algum tempo de blog - e como uma conversadeira nata-, já ouvi muitos relatos de amigos ou desconhecidos sobre suas lembranças mais saborosas. Eu adoro esse tipo de narrativa e por isso decidi abrir este espaço para os meus leitores. Um espaço do Cucina Artusiana dedicado à memoria gustativa. 

Quer compartilhar com a gente o sabor que faz até hoje você ficar com água na boca?!


 Para dar um empurrãozinho aqui vão algumas das minhas:


17 comentários:

  1. Pequenas coisas , como a salada de sardinhas de meu pai, ou o kibe cru de minha avó paterna, ou o cuscuz paulista de minha mãe, os drinks de meu primo, o bife perfeito de minha avó materna - suculento, rosado por dentro, com cebolas marron-escuras...a lista é longa. E muito embora algumas receitas sejam de facilima execução, algo se perdeu neste processo, no desenrolar da história. Abraços.

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  2. Comigo acontece o mesmo, o croquete da minha vó, as muitas receitas sem "receita" do meu pai, até o Bolo Mármore da minha mãe que transformei em post outro dia...tudo isso me leva a recordar momentos muito gostosos vividos em família.
    E é bem assim mesmo, a memória é tanta que por muitas vezes sinto o cheiro no ar.
    Bjuss!!!

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  3. Ai Rachel, agora tu me lembrou do croquete que minha vó fazia... Sem explicação! E o pior, sem receita também, nunca comi igual. Quando ela se foi eu ainda não me interessa por cozinha.
    Vou pensar numa receita e história bem bonita de memória gustativa para escrever aqui pro blog Carlinha! Bjs

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  4. Canja de galinha da Vó Ines(veneta) e pastel de carne da Vó Joaninha(napolitana).Como nem receita tinham, esses sabores se foram com elas. Pena... Receitas de avó deveriam ser perpetuadas e replicadas sempre.

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  5. Pão caseiro e frango recheado assados em forno a lenha!!!!
    Lembrança da infância de quando a mãe tinha que dar bronca para as quatro ferinhas não devorarem o pão de uma vez...rsrs
    E o frango caipirinha, recheado com os cultivos do pai na chácara, hum... legumes tão fresquinhos!
    E claro, os doces caseiros em geral, o pai exagerava no açúcar mas prepará-lo já era diversão e construção de boas memórias.

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  6. Poxa... Item fácil de acessar na minha memória interna! Arroz, feijão e bife da minha vó, raspar a panela de ambrosia que ela fazia para o restaurante, o liquidificador cheio de maionese, a rosquinha da minha tia... Essa eram minhas férias durante a infância até meados da adolescência, dentro da cozinha do restaurante da minha vó. Vivendo na Bahia só tinha acesso a comida do Sul e até hoje, embora ame comida baiana, não temos hábito de come-la em casa.

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  7. bah, eu lembro de quando a minha mãe fazia polenta mole com queijo, presunto e molho de tomate por cima. meu deus, nunca mais comi igual. e talvez, mesmo se viesse a comer hoje em dia, não teria o mesmo sabor ;)

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  8. Esse exercício é muito gostoso... lembro da massa que minha avó paterna fazia e sempre que chegava em Gramado tinha um pedacinho de massa crua me esperando meio que escondido, porque minha mãe não deixava.
    Também tinha os ovos cozidos pintados que sempre vinham no ninho...
    Da minha avó materna, lembro dos ovos fritos que ela fazia como ninguém, tanto pelo sabor, quanto pela habilidade. Mocotó e lingua bovina com molho também são comidas que me fazem viajar nas lembranças...
    Que saudades das minhas avós...
    Beijos Carla e parabéns pelo novo Cucina.
    Alê

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  9. Carla, já fiz alguns posts falando sobre isso. Um é pouco para tantas lembranças boas.
    Tem as rosquinhas com açúcar e canela, que foram passando através das gerações; os doces em calda da minha avó materna; a mesa de natal com rabanada, aletria, abacaxi regado com vinho... e vai por aí.
    Reparou que só citou pratos doces?
    Tão bom recordar!!
    Bjs.

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  10. Carla, o teu "desafio" de escrever sobre memórias me fez lembrar imediatamente de um caldo que minha avó materna preparou para mim, quando fiquei internada no hospital de minha cidade, durante minha adolescência. Ela preparou um caldo muito simples, à base de carne, aquele caldinho da carne cozida. E mandou o caldo com torradinhas que ela mesma preparou. O engraçado é que, apesar de um prato simples, eu nunca tinha comido nada igual antes. E nem depois. Senti que aquele caldo vinha temperado com amor, e através dele ela estava dizendo que me amava. Foi a melhor comida que já comi na vida.

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  11. Pois outro dia, enquanto pedalava no quentinho da minha sala, assisti o filme "SOZINHO"(titulo original,Issiz Adam-2008. É um filme turco, que há algum tempo foi comentado aqui mesmo como sugestão do http://www.cozinhaemcena.com.br/. Foi uma avalanche de lembranças gustativas.
    E o melhor e mais perfeito momento nostalgia aconteceu quando a protagonista Ada, pega no refrigerador uma panela com charutinhos de folha de parreira e se põe a comer, frios mesmo e com a mão, exatamente como eu comia os que a minha vó Sofia fazia e depois saia da casa dela para levar para nós, numa panela amarradinha com pano de prato.
    Resultado; passei o resto do dia com aquele gosto do meu passado, transitando entre o palato e o coração. Coisa bem boa!

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  12. SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO DE 2012

    Olá Carla, aqui vai a minha lembrança do chá de brasas.
    Quando criança na casa de meus avós era costume todas as noites a família se reunir depois do jantar, para contar as novidades do dia e assim esperar o sono vir, eles dormiam cedo porque levantavam muito cedo, pois antes do sol sair já iam para o eito. Enquanto os adultos contavam sobre suas lutas diárias, as crianças brincavam, mas teve uma noite que foi diferente, fazia frio e as crianças estavam meio encorujadas quando meu tio Dário, talvez para nos animar ou tentar espantar o frio, inventou de fazer o tal chá. Dos primos que participaram desta aventura gastronômica só me lembro da minha prima Alzira, (éramos da mesma idade, e onde estava uma, estava a outra) dos outros não me recordo quais eram, mas a cena daquele momento ficou gravado em minha mente.
    A cozinha da minha vó era ligada à despensa, nessa despensa existiam grandes caixas de madeira onde eram armazenados os cereais básicos ( arroz, feijão, farinha de trigo, fubá), latas de gordura de porco com suas carnes fritas dentro, essa era a única forma de conservação, pois naquele tempo não existia por lá energia elétrica, muito menos geladeira. Varais pendentes presos no teto com linguiças produzidas para o consumo ficavam à mostra, também pendente do teto cestas cheias de ovos que eram para o uso diário e o excedente para a venda. Moedor de café preso sobre um tronco de madeira que era fincado no chão de terra batida, cilindro também preso em madeira e fincado no chão. Na cozinha tinha uma mesa grande onde preparava todas as coisas, inclusive onde lavavam os trens de cozinha com a ajuda de duas bacias grandes - uma para lavar outra para enxaguar.
    É este cenário que conservo nítido em minha mente daquele momento vivido em minha infância, onde a curiosidade misturava-se com a alegria de descobrir algo novo.
    O fogão à lenha ainda conservava suas brasas acesas cobertas por uma camada de cinzas, na chapa uma chaleira de ferro com água quente que sempre estava ali para uma eventual necessidade. À roda do fogão estava eu, minha prima Alzira, mais dois primos e meu tio que iria nos ensinar fazer o tal chá. Cada qual com uma caneca de ágata na mão, estávamos atentos para seguir o passo a passo. E aqui vai a receita como foi ensinada e como a fizemos: colocamos açúcar cristal (açúcar refinado era um luxo para poucos) na caneca. Com uma tenaz escolhemos duas ou três brasas vivinhas (essa era a parte mais perigosa), assopramos para tirar toda cinza e as deitamos sobre o açúcar para queimá-lo e assim caramelizar. E por fim juntamos água fervente, retiramos o carvão (brasa apagada), e estava pronto o chá de brasas.
    Eu não me lembro do gosto mas devia estar horrível. Era uma receita bem tosca, um arremedo se comparado com os chás que temos hoje à nossa disposição e também um sacrilégio para os japoneses que apresentam seus chás maravilhosos com todo aquele cerimonial com tradição milenar.
    Tosca ou arremedo não importa, o que fica na verdade é a lembrança de um momento que vivi em família no aconchego da casa de minha vó, que me faz sentir uma baita saudade e a consciência de que sãos esses momentos que vivemos é que nos dão sentido à nossa vida e nos fazem pessoas mais felizes.
    Essa lembrança como tantas outras dançam deliciosamente em minha mente fazendo um carinho no meu coração.

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  13. cheiro do molho de tomate da minha mãe, do peixe frito da minha avó, de goiaba vermelha que eu colhia no pé e jabuticaba, amendoim, cana, e bolo de aniversário com bolinhas prateadas em cima e recheio de goiabada, de pirulito chupeta aquele vermelhinho com palitinho de sorvete que parece vidro rsrsrsr,

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  14. Carlinha...dia desses eu falava do café com leite que a minha avó materna fazia para mim, quando ia visitá-la em Passo Fundo...ela servia naquelas xícaras antigas de colorex esverdeadas (lembra desta louça?)...não era nada de mais...mas o cheiro do leite com café DELA era especial! Nunca mais senti este cheiro...até comprei uma xícara daquelas no Mercado Livre para matar a saudade! Mas o cheiro? O cheiro fica na memória como o "café di vó"!

    Outra coisa que me lembro muito bem e que tenho saudades, é que a minha mãe assava banana no forninho do fogão, colocava-nos sentados em cadeirinhas de madeira e dava um pratinho para cada um com uma banana daquelas regada com KARO...ai...deu até água na boca!

    São lembranças que ficam na nossa memória gustativa...adoro relembrar!
    Um beijo e...um queijo, amore!

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  15. Sao 2 lembranças.... A Pastiera di grano que meu pai trazia da Cantina Speranza e o nhoque da minha Vo (inconfundível) Napolitana no almoço de domingo.
    Era um ritual...fazem 46 anos e não me esqueci.

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  16. Sao 2 lembranças.... A Pastiera di grano que meu pai trazia da Cantina Speranza e o nhoque da minha Vo (inconfundível) Napolitana no almoço de domingo.
    Era um ritual...fazem 46 anos e não me esqueci.

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  17. Nossa!!! Que boas lembranças me vieram a mente esse momento, lembro de toda e qualquer comidinha feita pelas mão da minha avó materna com água na boca, mas sempre tem as que nos lembramos com mais nostalgia, e pra mim são o creme de laranja e as rosquinhas de polvilho...hum...que delícia!!!

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