abril 24, 2012

Curso de Culinária na Itália

Uma das coisas eu gostaria de fazer neste meu tempo aqui na Itália era um curso bacana de gastronomia. Porém, achar um curso de período breve não é tão fácil se você está procurando algo fuja do "cozinha para amadores". Eu procurava um curso profissional em um período curto. Só isso. Só.

Depois de muito procurar achei a escola Maisazi em Lonigo, na região do Vêneto, que faz alguns cursos profissionais com duração de uma semana. Achei perfeito! 

Semana passada entrei na cozinha para um "entensivão" de aperfeiçoamento gastronômico e foi muito legal. Além da turma ser pequena (4 alunos) a abordagem do chef-professor me agradou bastante. Tudo tinha um porquê científico, as explicações eram todas muito coerentes e olhar dele sobre a profissão fez eu repensar a minha função na cozinha. Forte, não?! Agora só falta digerir tudo isso. 

Deixo para vocês algumas fotos da semana:















(Parênteses: Passei duas semanas na Espanha e tive experiências gastronômicas muito, mas muito legais. Vou escrever sobre elas nos próximos posts, quando já estiver em casa. Sim, estou chegando neste final de semana! Os três meses passaram voando...)

abril 04, 2012

Florença e Siena - Meus Cincos Dias na Toscana

Cena I - Firenze

Restaurante - Hora do Almoço.

Casal na mesa ao lado da minha:

Mulher olhando o pedido da outra mesa: - O que eles pediram? Pão com feijao? O que é aquilo?
Homem: - Boh!
Mulher: É feijão sim, e muito feijão. Fatias de pão com feijão. Que estranho. A gente pode fazer em casa.
Homem: Sim, podemos.
Eu (metida como só): Mas de que região vocês são?
Mulher: Somos de Veneza.
Eu: Ah.

Pão com feijão (crostini coi fagioli) na região da Toscana é típico, por isso o estranhamento da mulher. Começamos a conversar sobre as diferenças gastronômicas entre as regiões italianas e como era uma cozinha rica, cheia de variantes. Falei para eles que estava fazendo uma viagem gastronômica e pesquisando Pellegrino Artusi. Para minha surpresa, esse senhor nasceu na mesma cidade do Artusi e ficou muito contente quando disse que havia estado em Forlimpopoli. Nossa conversa se alongou em um cafezinho onde falei mais de Artusi para eles - procuramos juntos no mapa a casa onde Artusi morava e vendia os seus livros em Florença. Falamos de receitas de família e ela me contou que a nonna sempre fazia um doce maravilhoso para a primeira comunhão dos netos. Ficou de me mandar a receita. Contou também que na família há uma edição super antiga de Artusi e que é guardada com todo carinho. Nos despedimos com promessa de contato e troca de receitas.

Cena II - Siena

Eu na Piazza del Campo, olhando com atenção todos os produtos expostos na vitrine da loja de produtos típicos toscanos,  e duas senhoras se aproximam.

- Que coisas bonitas, pena que fazem mal.
- O que faz mal na vida é não ter prazer. E comer isso é ter prazer.

Comecei a rir e disse que ela estava certa. Essa senhora me disse que sempre comeu o que quis, que nunca fez dieta e "essas coisas da moda" e "aqui estou eu, com 91 anos". Me contou que teve um restaurante por 35 anos em Siena e que fazia ela mesma a massa fresca. "Todo mundo vinha comer o que eu cozinhava". Disse que era cozinheira também e ela me disse: "Faz bem, faz bem. Cozinhar é uma das melhores coisas do mundo. Você vai gostar de seguir isso na vida". A outra senhora, que era mais nova - 85 anos-, esperava impaciente o final da nossa conversa e dizia: "vamos, vamos, não podemos ficar muito tempo de pé". A senhora cozinheira fez um "aff", segurou minha mão e desejou uma boa viagem. Nos despedimos com cumplicidade. Fiquei com os olhinhos marejados vendo elas se distanciarem.

Minha passagem pela Toscana foi marcada por esses dois momentos. Dois momentos que me deixaram em felicidade plena, pois foi justamente atrás disso que vim. Além de sabores concretos, queria ter esse tipo de contato, que sinceramente, é o melhor sabor dessa minha viagem. Quando você começa a falar de comida com um italiano é um mundo que se abre. Todos falam com propriedade, todos falam de suas cozinhas regionais e afetivas. Falam da mamma, falam da tipicidade dos seus produtos e claro, defenestram a comida do outro, como o napolitano que fez cara de nojo quando falei da polenta do Vêneto.

Tenho aprendido muito com cada conversa.


Infelizmente não pude fazer a Toscana do modo que imaginamos. Aquele jeito romântico de campos de girasóis que ficou no nosso imaginário depois do filme "Sob o sol da Toscana", pois esses lugares não são acessíveis sem carro. Mas mesmo assim, tentei absorver tudo que Florença e Siena podem oferecer.






O pão toscano, sempre sem sal, ótimo para bruschetta. Quando a cestinha chega na minha mesa, sempre  banho uma fatia com azeite de oliva, sal e pimenta e me delicio enquanto meu prato não vem, mas sempre deixo uma fatia para a scarpetta.



Cinta con rosmarino e contorno di finocchio - Corte de porco com alecrim e acompanhamento maravilhoso de erva-doce. Nhamnham.


Insalata di arancia e pinoli


O vin santo para inzuppare os cantucci.


Porchetta - que eu virei fã e é o meu próximo desafio culinário.


Artusi na vitrine de um restaurante.


E muito vinho Chianti.

Uma das coisas que queria comer e não consegui foi a tradicional bistecca fiorentina. Elas são vendidas no mínimo com 500kg, ou seja, muita carne para mim.

abril 02, 2012

Sul da Itália III: Nápoles - O Retorno

Como comentei no post anterior, fiquei em Nápoles apenas um dia  antes de partir para a Costa Amalfitana. Depois da costiera a ideia era ir para a Sicília, porém mudei de ideia, deixei o resto do sul para um futuro não muito distante, espero eu - e retornei a Nápoles. Um dia tinha sido pouco para nós duas.

Gastronomicamente falando, Nápoles é uma tentação. Principalmente na parte da confeitaria. São inúmeros cafés exibindo babà, pastiera, sfogliatella e uma lista de biscoitinhos com nomes que terminam em elli que não acaba mais.


Uma das coisas que me arrependo muito foi de não ter tirado foto alguma dos bolos decorados. Eles são muito, mas muito bregas. De tão bregas chegam a ser bonitos. Pena que a boboca aqui não se ligou.

Nos quartieri spagnoli existem vários mercadinhos, fruteiras, peixarias e açougues um tanto pitorescos.




E foi no quartieri spagnoli que encontrei um restaurante bem do jeito que gosto: pequeno, tradicional, sem pretensão de ser o que não é, e o melhor, com uma comidinha muito bem feita. Além de tudo, a dona é uma queridona.


Mas me apaixonei mesmo quando ela colocou esse cestinho de pão quentinho na minha frente. Comentei: Tá quente!!! E ela: Claro, assei agora! - Pronto, foi o que bastou para o papo correr longe. Depois de algumas dicas ela me disse: mas fique atenta, porque quem gosta de fazer pão sempre acaba "robusta".
Não quero comentar o assunto.


Fiquei pensativa, me imaginando uma nonna com os bracinhos bem fortinhos e uma avental cheio de farinha. Enquanto pensava, mangiava

De primo, spaghetti con acciughe fresche 


De secondo, pesce spada e insalatina


Sobremesa básica: gelato! Sorvete italiano é uma delícia, mas os da Casa Infante são maravilhosos. Melhores que o da Grom, a sorveteria da moda na Itália. 


Depois de tudo isso, o jeito é caminhar, caminhar muito por Nápoles. O que não é nada difícil. Se cansar, pare, peça um aperitivo ou um café, que tudo ficará bem.

Agradecimento: a minha ida até Nápoles tem muito o dedo de uma amiga. Joice, apaixonada por Nápoles como é, incentivou muito a minha ida para lá. Joice, valeu! Adorei todas as dicas, adorei a cidade. Valeu mesmo! Pena eu não poderei levar a tua "encomenda" napolitana. Peccato!