fevereiro 27, 2012

Schiacciata em Florença

Ontem passei o dia em Florença e adorei a cidade. Tanto que não não entrei em museu algum. Explico: o dia estava lindo e eu não conseguia parar de caminhar. Caminhei horas seguidas, entrei em ruas que não localizei no mapa, me perdi, me achei, me perdi de novo. Andei em círculos, em quadrados, em losangos, em triângulos e a cada esquina que eu dobrava, uma paisagem diferente, uma surpresa arquitetônica. Um detalhe aqui, outro ali. Eu é que não ia enfrentar filas enormes para ficar disputando espaço para ver as obras de arte dentro dos vários museus. Isso farei em um outro dia, de chuva de preferência.

O único momento em que parei foi para comer alguma coisa. Procurei em diversos restaurantes pappa al pomodoro e só achei em uma trattoria mega lotada. Deixei para lá e continuei caminhando. Acabei chegando no Museo Casa di Dante e percebi uma certa movimentação na rua lateral. Muita gente comendo o que parecia um sanduíche. Pensei cá com meus botões: se tem bastante gente, pode ser bom (essa regra não se aplica ao McDonalds, ok?!). Entrei em uma fila menor daquela para entrar no Duomo e depois de alguns minutos fui atendida. Pedi uma schiacciata com presunto cru e queijo pecorino e um copo (de plástico) de vinho chianti, paguei 4,00 Euros, peguei meu panino e sentei na calçada. Me senti Anthony Bourdain e suas comidas de rua. 

Não julgue o lugar pela fachada

Se você não estiver com aquela "mega" fome, um panino assim vai super bem.

fevereiro 24, 2012

Modena - Gula pouca é bobagem

Quando disse que essa minha viagem seria uma viagem gastronômica, eu não estava brincando. Tenho tentando provar tudo que aparece pela minha frente e se não aparece, eu vou atrás. 

Estou em Modena, uma cidade muito graciosa e que já faz parte da seleção "Eu moraria aqui".  Já sabia que é a cidade própria para fazer um tour gastronômico, mas confesso que a quantidade de restaurantes (e bares e cantinas e delicatessen e confeitarias e padarias) me assusta. É difícil escolher um lugar para comer, é difícil escolher o que comer. Sempre entro no restaurante repetindo para mim mesmo o mantra "Só o primo piatto, só o primo piatto", mas quando vejo já pedi o primo, o secondo, o dolce e o limoncello, claro, para ajudar na digestão. Olho grande e gula tem nome e sobrenome aqui: Carla Maicá.

Hoje estava relendo esse texto sobre a Emília-Romanha e só posso dizer para vocês que é isso mesmo. Tudo que li naquelas linhas, tenho vivido aqui. 

As massas recheadas são maravilhosas. Uma massa fininha, sutil, com recheios que me deixam maravilhada. Nada nos sabores é demais. Tudo é equilibrado. 


As vitrines das lojas culinárias são lindas. As confeitarias são um luxo só. Eu fico olhando para todos os lados, caçando um presunto aqui, um queijo ali, um pão acolá. E tudo isso regado a lambrusco. Lambrusco seco. Se pedir um amabile te coloram para fora do bar ou, no mínimo, vão olhar para você com uma cara de "ah, turistas!". 


Massimo Bottura e eu estamos na mesma cidade...ai, ai

Lambrusco em qualquer hora do dia. 
O bollito misto com seu famoso cotechino, que é gordurentinho, mas uma delícia
Esse, depois da comilança toda, desce redondinho...
Ela. Sem mais.
Gelato di limone e pistacchi - quase uma refeição
Abstraiam as taças e olhem a cara do dono do bar! Medinho...

fevereiro 16, 2012

Cliques gastronômicos

Juro, juro, juro que acreditava que eu cozinharia nesses dias aqui. Juro! Tenho uma cozinha que dá para o gasto, todos os ingredientes que sempre sonhei ter, mil receitas e muita, muita fome de fazer tudo. O que falta? Tempo. Sim, tempo.

Os dias tem sido curtíssimos por aqui. Tenho aula todas as manhãs e à tarde geralmente faço pequenas viagens pelas redondezas de Modena. Já fui a Parma (2x), Carpi, Mantova, Ferrara e Serramazzoni. Sendo que nos primeiros dias tudo era feito com neve até o pescoço. E digo: caminhar na neve cansa! E cansa muito. Chego em casa morta, tomo um banho quente, uma taça de vinho e caio em sono profundo de 10h. Meus dias tem sido assim: café da manhã na padaria da esquina, aula até às 13h, trens "in ritardo" na ida, cidades vizinhas, caminhadas de mais ou menos 4h, trens "in ritardo" na volta, banho quente, 1 taça de vinho e cama. No outro dia tudo de novo. Assim, não tenho como cozinhar. O máximo que faço são uns cliques gastronômicos, mas acredito que semana que vem eu pare mais em casa, pois minha parceira de bater perna Emília-Romanha a fora irá embora amanhã (olhinhos marejados... a despedida é sempre triste).

De qualquer maneira posso dizer que ando fazendo aquilo que havia planejado: olhar atento a tudo que se refira à cozinha italiana. Quando eu voltar prometo colocar tudo em dia.


Vitrine de pães em Parma

Uma "Salumeria" em Parma



O meu "cornetto"matinal em Modena





Mercado de Albinelli em Modena - Falo mais dele na próxima semana

Tigelle - Pão típico de Modena. Também falarei mais sobre na próxima semana

Queijos, muitos queijos em Mantova


Fritelle de Carnaval - Mantova

Janela indiscreta: foto de uma feira de produtores orgânicos tirada da janela da minha sala de aula


Camarões do almoço-café-janta em Serramazzoni
Bolo de chocolate maravilhoso de uma colega

Pizza e vinho na noite de São Valentim em Modena

fevereiro 13, 2012

Fare la scarpetta

Você faz la scarpetta? Eu faço e adoro! E tenho certeza que muitos aí também fazem... Hã?! Quem nunca pegou um pedaço de pão para "limpar" o prato? Aqui na Itália isso é fare la scarpetta. Simpático que só.

Não é muito elegante, mas quem pensa em elegância e boas maneiras quando percebe que resta aquele molho suculento no prato pedindo um pedaço de pão?! Eu não!


A partir de agora começo a postar minhas impressões gastronômicas sobre a Itália. Aguardem os próximos posts.

Saudade de todos vocês.
Um beijo e até mais.

fevereiro 07, 2012

Algumas cenas da França





Pães do mercado local de Toulouse

Fruteira em Toulouse

Raclette  - muito queijo, batatas e diversos embutidos

Sobremesa de laranja, muita canela em pó e água de laranjeira

Pão no almoço... Na janta, no café, no lanche... Amo!

Almoço em Albi

Placa de um restaurante simpaticíssimo em Cordes-Sur-Ciel

Cordes-Sur-Ciel

Uma daquelas lojas gourmet que nos faz saltitar de felicidade

fevereiro 06, 2012

Toulouse e crêpes Suzettes de Helenè


Cá estou no Velho Mundo. Primeira parada: Toulouse, sul da França.

Vou conter a empolgação e não vou narrar tudo que aconteceu nos 03 dias que fiquei na França, pois como devem imaginar, estou deslumbrada com tudo que vi.

O resumo simplista seria mais ou menos assim: eu e Fabiano (meu companheiro de viagem até o Carnaval) ficamos na casa de amigos brasileiros que moram em Toulouse. Andamos de bicicleta... com neve caindo. Conhecemos a cidade quase que de cabo a rabo. Comemos crêpe no dia 02 de fevereiro, data nacional do crêpe. Fomos a uma casa de chá ultra esfumaçada para fugir do frio. Visitamos duas cidades medievais no dia seguinte. Comemos frango caipira preparado por Pierre e crêpes da Helenè na primeira noite. Comemos raclette na segunda. Pães maravilhosos e croissant nos cafés da manhã. Andamos de bicicleta com -5ºC na noite de Toulouse para beber cervejas artesanais. Fabiano recebeu uma festinha de aniversário. Apanhei da língua francesa.  As mulheres francesas são elegantérrimas. E o francês é tão lindo que até fiz um versinho plagiando Vinicius de Moraes:

Os italianos que me desculpem,
Mas o francês é fundamental.

E isso não vale apenas para a língua... Ops.. escapou!

Vamos à receita:

Recette des crepes “suzettes”

Helenè, uma francesa que se prepara para sua primeira viagem ao Brasil, fez a sobremesa da nossa primeira noite em Toulouse. A massa você pode fazer aquela sua de sempre e, provavelmente essa receita é semelhante a que você faz, mas o que mais me chamou atenção foi como eles (e eu, claro!) comeram essa crêpe: com limão e açúcar.

Ingredientes

600 ml de leite
300 gramas de farinha de trigo
1\2 xícara de água
03 ovos
02 colheres (sopa) de cerveja ou de água de flor de laranjeira
Manteiga ou óleo de sabor neutro para a frigideira

Misture todos os líquidos. Reserve. Bata os ovos. Reserve.  Em uma tigela, coloque a farinha, acrescente os ovos e vá derramando, em fio, os líquidos misturados, mexendo sempre para incorporar a farinha. Se desejar, faça no liquidificador. O importante é não deixar grumos na massa, que deve resultar quase líquida e bastante lisa.
Com uma concha, coloque um pouco de massa na frigideira previamente untada. Deixe dourar de um lado e depois, com cuidado, vire o outro lado e deixe dourar também. Repita a operação até terminar a massa.



Nessa noite comemos com Nutella ou polvilhando açúcar demerara e espremendo ½ limão para cada crêpe, mas se você já ficou imaginando, assim como eu, que a falta algo na combinação limão+açúcar, vamos ao que eu chamo de divertimento:

Crêpe caipirinha:

Polvilhe a crêpe com açúcar, esprema ½ limão e feche a crêpe. Coloque novamente na frigideira e derrame um pouquinho de uma boa cachaça sobre ela. Volte ao fogo para flambar.

Feito!