outubro 09, 2012

Babà al rum - Artusi 565

Dias atrás fiz uma enquete no Facebook perguntando que tipo de receitas gostariam de ver nos próximos posts do Cucina Artusiana. As opções eram massas recheadas, carnes, pães e biscoitos, receitas de base da cozinha italiana e doces. Os doces italianos ganharam de lavada! Então é isso, os próximos dias serão dedicados à pasticceria italiana.

Por aqui já tivemos doces clássicos como o zabaione, o tiramisù e a panna cotta. E hoje eu trago para vocês um clássico da confeitaria napoletana: o babà. 

Eu tinha uma curiosidade tamanha quanto à textura do babà, pois já havia feito uma vez e tinha achado massudo demais visto que a descrição era "de uma esponja que absorve o rum".
Quando coloquei os pés em Nápoles eu já sabia o que comeria. Primeiro uma vera pizza e depois o babà. E realmente, o babà é uma instituição na cidade. Em todas as confeitarias, os cafés e restaurantes o babà marca presença. Alguns nus, só embebidos em uma calda de rum, outros vestidos para festa, com chantili e framboesa. Eu, que não gosto de muita frescura e adoro um etílico me acabei nos babà al rum. Comi vários nas minhas andanças, o que era muito divertido levando em conta o teor alcoólico do doce.

Outra coisa da qual eu tinha curiosidade era sobre esse nome "babà", e descobri (será que é fato?!) que este nome vem, vejam vocês o que é a intertextualidade, dele mesmo, do Alì Babà... aquele dos quarenta ladrões. Isso porque o rei da Polônia, Stanislao I Leszczynski, cansado de comer kugelhopf (tadinho, gente!), inventa este doce e o batiza de babà em homenagem ao personagem de uma das novelas de Mil e uma noites, um de seus contos favoritos.

Descobri  também que babà é o mesmo que savarin, outro doce tradicional da confeitaria italiana (de influência francesa). Porém, recebe este nome o doce feito não em forminhas individuais, mas sim o assado em uma forma redonda com furo no centro. E o nome savarin, segundo Artusi, é uma homenagem a Brillat-Savarin, o gastrônomo francês.

Falando em Artusi, é dele que vem a receita de massa do babà que trago para vocês. A receita indica uso de uvas passas para incrementar a massa, algo que não fiz. Já a calda de rum eu retirei do "Le garzantine - Cucina".




Babà - Artusi 565

Este é um doce em que a pressa é inimiga da perfeição, isto é, para ficar bom são necessárias paciência e atenção.

Deixando o exagero do Artusi de lado, vamos lá!

Ingredientes

250 gramas de farinha de trigo
70 gramas de manteiga derretida
02 ovos
50 gramas de açúcar
30 gramas de fermento biológico fresco
100 ml de leite - ou creme de leite
01 colher  (sopa) de rum
01 pitada de sal 
Essência de baunilha - não usei

Dissolva o fermento em 50ml de leite morno. Deixe descansar por 5 minutos e misture a 1/4 da farinha. Misture bem até formar uma massa não muito dura. Faça uma bolinha, coloque em uma tigela e, com a ponta de uma faca, faça uma cruz na superfície da massa. Cubra com filme PVC e deixe por 30 minutos em algum lugar quente (morno) longe de vento. 

Em uma tigela bata os ovos e o açúcar, acrescente o restante da farinha, a manteiga, o rum, o restante do leite e a massa fermentada. Misture tudo com vigor, para que tudo fique incorporado e resulte em uma massa homogênea. (dica: se você tiver a batedeira planetária, essa etapa pode ser feita tranquilamente com a espátula pá.) A massa deve resultar homogênea, elástica e mole. Não pode ser dura. Deve ficar parecida com essa aqui.

Pré aqueça o forno a 200ºC.

Unte com bastante manteiga as forminhas de babà (ou na falta, qualquer forminha individual ou ainda uma forma única com furo no centro) e encha cada uma delas apenas até a metade. Cubra com plástico e deixe descansar até que a massa chegue à borda das forminhas. Leve ao forno e asse por aproximadamente 30 minutos.

Calda de rum 

200 ml de água
100 gramas de açúcar
50 ml de rum
casca de 1 limão

Coloque para ferver a água com o açúcar e a casca de limão. Depois de 2minutos de fervura retire do fogo e acrescente o rum. 

Retire os babàs do forno e, com delicadeza, retire das forminhas. Molhe cada um deles com a calda de rum e coloque em uma grade para esfriar.

È finito!









12 comentários:

  1. Ficaram com uma aparência hiper mega apetitosa!

    Vou fazer para experimentar, me deu vontade de dar uma mordida nisso ai, ham ham ham

    Bravíssimo!!!.

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  2. estão lindos!
    bjs

    www.brisandonacozinha.com

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  3. Carlinha, O Babà é um dos meus prediletos... Simplesmente adoro!!!
    Essa receita eu levo comigo agradecendo ao Céu!!!!RSRS
    E o melhor de tudo é que qdo o fizer estarei bem segura, pois minha MESTRA está deixando tudo bem claro. Bjkinhas doce. RE

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  4. Nossa...ficaram de "babar" mesmo...mesmo...mesmo!!! Delícia é pouco! Um beijão, amore!

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  5. Ehhh, as formigas venceram! Rs. Carla, nunca comi, só fiquei na vontade vendo a Nina na novela com babà para cá e para lá, agora já tenho a receita. Ficaram lindos e parece ser muito bom! Interessadíssima na série de doces italianos. Termino com uma palavra: zucotto! Hehe. Beijos :*

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  6. Ah, mas que são de dar água na boca eles são.

    Estou indo ver o tiramisú que eu amo e pretendo fazer.

    Bjuuu!!!

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  7. Hummm, belo começo...embora eu seja um pouco fraca com relação a etílicos (rs), adoraria experimentar!
    Bj,

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  8. Nham nham...parecem deliciosos!!!
    Vivi

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  9. faz dois dias que estou em napoli e ja comi uns 4 destes... aqui ę tudo divino! ja vim prgar a receita para fazer no brasil p a familia.

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  10. O restante do leite (já que usei 50 ml para o levedo) junto na massa? E na calda, quanto de açúcar? Desde já agradeço

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    1. Oi, Tamiris!
      Obrigada por me apontar os equívocos. Já arrumei na receita. Mas olha só, a calda vc pode fazer 2x mais para poder banhar bem os babà. Ficam ótimos!

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