agosto 01, 2012

Marlena de Blasi e Fagioli [Feijão Branco]

Você é crítica gastronômica e tem de viajar a Veneza para escrever sobre a culinária da região. Já esteve ali antes fazendo um trabalho semelhante. Nessa segunda vez, pelo telefone de um restaurante, recebe uma ligação inusitada. É um veneziano dizendo que, desde que lhe viu há 3 anos, não conseguiu tirar você da cabeça. Quer lhe conhecer. Quer uma chance.

E assim começa a história de amor de Marlena de Blasi e Fernando. 

Essa minha pequena apresentação pode parecer que se trata de um romance água com açúcar, mas não é. Tirando esse início, que parece conto de fadas, os livros de Marlena são um olhar sobre a Itália gastronômica, sobre as relações dos italianos com a comida, sobre a relação dos italianos com o resto do mundo.

Eu conheci a Marlena quando estava no barato da minha viagem. Comecei com "Mil dias em Veneza", que li em dois dias. Emendei o "Mil dias na Toscana", que terminei de ler algumas horas antes de embarcar. E saí daqui com a narrativa dela fresquinha na cabeça. Inebriada com a possibilidade de encontrar muitas das coisas que tinha lido ali. E de fato, essas duas leituras influenciaram sobre a maneira de eu enxergar a experiência. Acho que fui com um olhar mais atento às coisas simples: uma feira na rua, a vitrine de um restaurante, a mãe e o filho conversando sobre o que preparar no almoço... Coisas cotidianas, mas muito especiais para quem vem de fora. 


Essa semana comecei a ler "Um certo verão na Sicília" e, até agora, as considerações são as mesmas. Então, para quem gosta de Itália, romances fluídos e culinária, vale a pena ler estes três títulos. Fora que todos eles trazem receitas regionais. E foi do "Mil dias na Toscana" que peguei a receita de hoje.

Vocês lembram quando contei aqui do casal em Florença que ficou surpreso com o pedido da mesa ao lado, que era pão com feijão? Então, a receita é essa.


Fagioli (al fiasco sotto le ceneri) - Feijões brancos (cozidos no fiasco sob cinzas)

"Os toscanos gostam tanto de seus feijões que os italianos de outras regiões costumam se referir a eles como mangiafagioli, comedores de feijões. O método mais antigo e suculento de cozinhar feijões é al fiasco, em uma garrafa de vidro bojuda. Os feijões brancos pré-cozidos, são misturados com água e vinho, azeite, um galho de alecrim, alguns dentes de alho, um punhado de folhas de sálvia e então colocados em uma garrafa. O gargalo da garrafa é suavemente fechado com um tecido umedecido, fixado com folga suficiente para permitir que o vapor saia. Em seguida, a garrafa é posta sob as cinzas de fogueira cujo calor começa a diminuir. Os feijões cozinham durante a noite e ficam prontos na manhã (ou tarde ou noite) seguinte para serem despejados em tigelas profundas, sobre cascas de pão dormido, com seus deliciosos sucos encharcando e amolecendo o pão. Despeje um último fio de azeite, moa um pouco de pimenta, mantenha uma garrafa de vinho tinto por perto, um toscano estará preparado para outro dia."




O fiasco é uma garrafa de vidro bojuda, geralmente de vinho Chianti, típico da região da Toscana. Infelizmente a nossa receita vai ser na panela mesmo. Nada de cinzas e de garrafas. 

Ingredientes

1/2 kg de feijão branco seco, posto de molho por 8h
02 colheres (chá) de sal grosso
01 xícara de azeite extravirgem
1 1/2 xícara de água
1 1/2 xícara de vinho branco seco
01 galho grande de alecrim
3-4 dentes de alho, descascados e amassados.
Fatias de pão branco.

Coloque todos os ingredientes em uma panela de fundo grosso e cozinhe em fogo baixo por aproximandamente 2h, ou até que fiquem cremosos mas sem desmanchar.

O pão da postagem anterior é perfeito para essa receita. Foi o que usei. 
Para a montagem, eu optei em pegar mais os grãos do que o caldo. Queria algo mais sequinho. Tostei as fatias de pão, coloquei boas colheradas de feijão, reguei com azeite de oliva e finalizei com pimenta do reino moída na hora. 




6 comentários:

  1. Carla, as fotos estão cada vez melhores! Parabéns!

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  2. Gosto de receitas com histórias, ainda mais quando me fazem relembrar coisas de família. Meus avós tanto paterno quanto materno eram italianos.

    Vou experimentar esta receita pois sou uma "mangiafagioli" de carteirinha.

    Bjs

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  3. Carla, vc sempre me surpreende com suas postagens!! Uma receita simples, mas cheia de história e sabor.
    E a foto heim??? Tá linda :)
    Bjos
    Tania

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  4. Adoro os livros da Marlena e sinto uma invejinha...

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  5. Carla,
    Ganhei esse livro num concurso. Era para responder a pergunta sobre o que eu faria durante 1000 dias em Veneza. Li o livro e fiquei muito tentada a reproduzir algumas das receitas. Mas ficou só na vontade, por enquanto... Amei o livro, mas já li opinião bem negativa sobre ele.
    Veneza era o meu sonho e o de muita gente, com todo o romantismo que tem direito. Daí a se tornar algo "água com açúcar", é um pulo.
    Conhecendo Veneza, é impossível a gente não se deixar envolver pela narrativa dela, lembrando dos lugares especiais que só Veneza tem.
    Os outros livros não li.
    Não gosto muito de colocar links em comentários, mas nesse caso é porque partilhamos do mesmo amor pela Itália e pelos posts culturais:
    http://www.nacozinhabrasil.com/2011/11/veneza-a-cidade-dos-meus-sonhos.html
    Feijão branco quase não consumo, pura falta de costume.
    Bjs.

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  6. Sou apaixonado por esses livros da Marlena, li praticamente todos. E, tou gostando muito do seu blog tb, o conheci na madrugada de ontem e o estou revisitando hoje. Parabéns! Foi gostoso ler sobre a Marlena nele.

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Obrigada pela sua visita e comentário no Cucina Artusiana.