janeiro 31, 2011

Mamão Maravilha e a Arte de Contar até 10

Ando numa fase muito inconformada com o mundo e principalmente com as pessoas. Ando chata para caramba e achei melhor não publicar o texto que escrevi para hoje. Era demais para vocês e talvez me rotulassem como sociopata, rabugenta e chata.

Para não correr esse risco decidi contar até dez e encher a boca com uma colherada deste creme bem geladinho.

Ai, ai... enquanto o sabor aveludado, doce e gelado invadia minha boca até esqueci minhas casmurrices.

Mamão Maravilha
(Do livro Natureza para Comer)

Ingredientes

01 envelope (12gr.) de gelatina em pó e sem sabor
03 colheres (sopa) de água fria
01 mamão pequeno picado (ou dois papaias)
1 xícara de açúcar  - Usei 1/2 e ficou bem doce
1/2 lata de creme de leite
02 claras em neve

Hidrate a gelatina na água e dissolva em banho-maria. Bata todos os ingredientes no liquidificador menos as claras. Depois de batido, misture ao creme as claras em neve delicadamente. Coloque em tacinhas e leve para gelar por 2 horas ou mais. Sirva bem gelado.


janeiro 30, 2011

Domingo Campeiro

Sítio São Francisco - Lomba Grande - Novo Hamburgo - RS













janeiro 26, 2011

Saudade medonha e bolo de arroz da vó Almerinda

Acredito que um dos fatores que faz alguém gostar de cozinha é a afetividade com que se foi, conscientemente ou não, inserido nela. Quem gosta de cozinhar geralmente inicia dizendo que aprendeu a gostar com a mãe, com a avó, com uma tia. Que ficava observando elas prepararem o almoço ou aquela receita de bolo. E comigo não foi diferente. Tenho referências muito fortes da minha mãe, que até hoje trabalha em restaurante, e acabo de me dar conta que tenho uma grande influência da minha avó paterna, a “Vó Magra” (sim, porque a outra é a “Vó Gorda”).

Ontem senti uma saudade imensa dela. Daquelas que dói o peito da gente e quando me dei conta estava chorando. Aquele choro que só a saudade sabe provocar. Não sei o que desencadeou sentimento tamanho, mas fiquei por um bom tempo pensando na sua figura e me lembrei de coisas muito interessantes e, que até então, eu não havia percebido. (Ô, divã! É por isso que adoro e faço análise!)

Então, como o pensamento da gente é uma coisa à toa lembrei...

... primeiramente do lugar onde meus avós moravam e onde passei boa parte da minha 1ª infância. Era aqui mesmo em Gravataí, num pequeno sítio onde meu avô plantava e criava umas galinhas. Lembro de terrenos cheios de pés de aipim, milho e algodão. Tinha um pomar com muitas laranjeiras e até hoje sinto o cheiro do suco que ele fazia para nós. Neste pomar havia pecan, que eu catava no chão e quebrava com uma pedra; uva japonesa, com seu cheiro doce, doce; morangos silvestres, que minha avó plantou num tanque antigo; um enorme, enorme, enorme abacateiro que era um perigo ficar debaixo com o risco de levar um abacate na cabeça. Mas era ali que tínhamos uma casinha de bonecas. Na verdade era a casinha do cachorro que provavelmente foi expulso pela minha prima e eu. Ah, nas laranjeiras eram escondidos nossos ninhos de Páscoa e tudo era festa. Lembrei de uma casinha, um anexo onde minha avó tinha um forno campeiro. Meu deus!!!!!! Eu não lembrava mais disso! E me recordei do dia (Jesus, eu tinha uns 5 anos!) que ela fez biju. Eu me lembro disso! Lembro do cheiro, lembro dos movimentos dela, do calor daquele forno. Lembrei da laranjeira onde muitas vezes fizemos almoços de domingo. E se não comíamos em sua sombra a sesta certamente seria ali. Uma outra lembrança: meu avô com chapéu de palha debulhando feijão debaixo dela. Ou ainda, o molho de sardinha para a pizza que era presença garantida. Toda vez que chegávamos lá antes do almoço, a vó nos recebia com um pãozinho com o resto do molho da pizza que já cheirava no forno (até hoje, qualquer molho vermelho acabo surrupiando um pouco para comer com pão). Ah, a maionese caseira que ela fazia num prato e deixava “a rapinha” e que sempre ficava para minha prima Tati. Eu era do molho a Tati da maionese (taí, vou apelidar ela de Tati Maionese, uma alusão ao Doug). Sem contar ainda o poço no meio da casa onde habitava o Bicho Papão e o porão que era a outra morada dele (putz, eu morria de medo e de curiosidade de entrar ali), o cheiro de terra molhada quando chovia naquela terra vermelha e até mesmo os beliscões da nossa tia, até então solteirona, que não queria que a gente sujasse a casa.

Sentiram o fluxo de consciência?! Gente, isso são lembranças de uma criança de 05, 07 anos de idade, pois meus avôs saíram de lá em 1988. Eu acho, não tenho certeza. Nossa! Como me marcaram!

Então tentei me lembrar das comidas que minha avó fazia e lembrei mais dos doces. As compotas de frutas: pêssego, figo, coco, uva verde e a mais saborosa e amarga de todas, a de casca de laranja, que lembro ser bem trabalhosa. E se hoje sempre olho para os potes de vidro com segundas intenções, a culpa provavelmente é dela.

Mas tem um bolo que é “aquele” que todos lembram e ficam nostálgicos que é o bolo de arroz com cravo da índia. Se há alguma receita para ser associada à Dona Almerinda sem dúvidas é este bolo.

Ela faleceu em 2007 com mais de 90 anos e não deixou receita alguma, até porque era analfabeta, mas também porque não gostava de revelar muito, não. Já tentei fazer algumas vezes através de relatos da minha tia e o resultado sempre fica muito inferior ao dela, mas hoje decidi fazer na tentativa de amenizar a saudade que está aqui no meu peito.

Talvez eu até acerte, mas com certeza a memória afetiva e a saudade são os temperos que fazem o bolo feito por ela ser insuperável.

Bolo de arroz e cravo da Vó Almerinda

Ingredientes

01 xícara de arroz
02 xícaras de água
02 colheres (sopa) de óleo de sabor neutro
1 ½ xícara de açúcar
½ xícara de farinha de trigo
04 ovos
3 colheres (sopa) de cravos da índia

Cozinhe o arroz nas duas xícaras de água. Enquanto isso triture os dentes de cravo. Pode ser no pilão ou ainda numa trouxinha que será batida. Numa tigela bata os ovos com o açúcar e o óleo. Quando o arroz estiver cozido e morno junte ao composto de ovos. Vá acrescentando aos poucos a farinha. Junte os dentes de cravos. Misture bem para o sabor do cravo incorpore à massa. Coloque em uma forma untada e leve ao forno baixo (180º) por aproximadamente 1 hora.

janeiro 24, 2011

Bruschette ensopadas? Não! Pappa al Pomodoro

Sempre via essa receita em livros de culinária italiana, mas nunca dava muito crédito. O fato de cozinhar pão dormido em um molho não me apetecia em nada. Me parecia um ensopado de bruschette e virava a página.

Eis que chega aqui o livro "Sabores da Toscana" e lá estava o Pappa al pomodoro.

O livro “nada mais” é que a reunião de receitas típicas da região da Toscana de um curso que duas australianas ministraram na Itália.

“Em 1995 passávamos férias na Úmbria com família e amigos. Uma tarde calma, deitados em redes, apreciando uma vista de espaço infinito (e provavelmente depois de um memorável almoço de pão, tomates e rose), sonhávamos com a ideia de voltar à Itália por um período mais longo, desta vez para dirigir um curso de culinária...”

Simples assim. Te mete!

Pois me dei por vencida. Se em todos os meus livros de culinária italiana há o Pappa al Pomodoro eu não poderia mais ignorá-lo e lá fui eu para cozinha.

E melhor, tive que colocar o rabinho entre as pernas e admitir que é muito bom mesmo. Levando em conta ainda que o meu não ficou como deveria (ficou meio "anêmico", pois os tomates que usei não estavam tão maduros).

É um prato quente, ou seja, não aconselho para almoços de janeiro como eu fiz. Tomei um "suadô".


Pappa al Pomodoro
(Do livro Sabores da Toscana)

Ingredientes

02 dentes de alho finamente picados
Azeite de oliva
1 kg de tomates maduros, sem pele e sem sementes
½ xícara de manjericão grosseiramente picado
Pimenta do reino moída na hora
1 litro de caldo de legumes
500 gramas de pão “dormido” – Use pão tipo italiano, retirando a casca
Queijo ralado
Sal a gosto.

Refogue o alho no azeite. Acrescente o tomate e o manjericão. Tampe a panela e deixe cozinhar por 5 minutos no fogo baixo. Tempere com sal e pimenta. Junte o caldo de legumes e deixe ferver. Corte o pão em cubos de 1 cm, junte-os na panela e mexa por alguns minutos. Tape e cozinhe por 30 minutos. Acerte o tempero. Sirva com um fio de azeite de oliva e queijo ralado.

Onde está o Wally?

janeiro 21, 2011

Ratatouille

Só mesmo o pacto ficcional para fazer a gente simpatizar com um rato na cozinha. Mas também não é um rato qualquer, mas sim um ratinho muito bonitinho e louco por culinária: o Remy, do filme RatatouilleEssa animação é uma gostosura e claro, se passa em Paris. Oui, oui, oui.


Gramado - 2010

Mas a minha decisão de fazer ratatouille nada tem de glamoroso, bem pelo contrário. Como não cozinhei muito durante essa semana, os legumes da geladeira já estavam ficando passados e ontem, folhando um livro, me deparei com esta receita. Ótimo para dar um fim digno para as berinjelas e para as abobrinhas.

O aroma que tomou conta da casa foi incrível e logo que ficou pronto não resisti e coloquei umas boas colheradas em um pãozinho. Parfait!

Ratatouille
(do livro 200 Receitas Fáceis de Fazer, de Louisse Pickford)

Ingredientes

125 ml de azeite de oliva
02 berinjelas grandes cortadas em cubos
02 abóboras italianas cortadas em cubos – Também usei 01 amarela
01 pimentão verde sem sementes e em cubo
01 pimentão vermelho sem sementes e em cubos
02 cebolas fatiadas
02 dentes de alhos amassados
400 gramas de tomates cortados – Usei tomate cereja cortados ao meio
12 folhas de manjericão
01 colher (sopa) de orégano
01 colher (chá) de tomilho
01 colher (sopa) de páprica
04 colheres (sopa) de salsa picada
Sal e pimenta a gosto


Pré aqueça o forno a 220º C.

Coloque metade do azeite em uma assadeira e leve ao forno. Deixe aquecer por 10 minutos e acrescente a berinjela, a abóbora e o pimentão e misture. Asse por cerca de 30 minutos. Enquanto isso refogue com o restante do azeite a cebola e o alho. Quando a cebola estiver transparente acrescente o tomate. Deixe cozinhar por 10 minutos em fogo baixo. Acrescente o restante dos ingredientes, misture bem para se formar um molho grosso. Retire os legumes do forno e junte a este composto. Misture bem para incorporar todos os ingredientes. Pode ser servido quente ou frio.



janeiro 19, 2011

A Abóbora que Virou Carruagem - Artusi 640

Sabem aquela propaganda do “Este é o inhame mais bonito que eu já colhi”? Vou me apropriar e dizer “Este é o doce mais bonito que eu já fiz”.

Ok, talvez não seja o mais “bonito” esteticamente falando (o meu bolo de aniversário ficou lindão), mas com certeza é o mais gostoso. Mais gostoso que um bolo de muitos chocolates? Sim.

Quando a gente diz “vou fazer um bolo de abóbora” duvido que o efeito seja o mesmo que “vou fazer um bolo de chocolate”. Justamente por surpreender é que ele é o mais saboroso que já pintou por aqui.



O legal em ter livros de culinária é que a receita está sempre ali. Fica quietinha esperando a nossa atenção. Depois de muitas lidas, consultas e relidas você topa com uma que nunca tinha percebido e é chegada a hora dela.

E foi exatamente o que aconteceu com este bolo. Depois de um ano estudando a obra de Pellegrino Artusi é que me dei conta da “torta di zucca gialla”.

Te dedico!


Torta di Zucca Gialla – Artusi 640 – Bolo de Abóbora Amarela

“Este bolo prepara-se no outono ou no inverno, quando a abóbora amarela é vendida pelos seus produtores.”

Ingredientes

01 quilo de abóbora
½ litro de leite
100 gramas de amêndoas sem a pele
100 gramas de açúcar
30 gramas de manteiga
30 gramas de farinha de rosca – Usei farinha de trigo
02 ovos
01 pitada de sal
Canela em pó a gosto
Banha para untar a forma – Pode ser manteiga


Descasque a abóbora, tire as sementes e os filamentos. Rale a polpa sobre um pano limpo. Junte as pontas do pano, faça uma trouxinha e “torça” bem para que escorra boa parte do líquido da abóbora. Coloque a polpa para cozinhar no leite por mais ou menos 30 minutos (fogo baixo). Enquanto isso triture as amêndoas com o açúcar. Quando a abóbora estiver cozida acrescente todos os ingredientes, exceto os ovos. Misture bem, retire do fogo e deixe esfriar. Pré aqueça o forno em 180º C. Unte uma forma com banha. Quando o composto estiver frio acrescente os ovos e coloque na forma. A altura do bolo deve ser no máximo 3 cm. Asse em fogo baixo por aproximadamente 1h.


Segure a ansiedade e coma no dia seguinte, pois ele fica infinitamente mais saboroso.

janeiro 17, 2011

Deu, passou! e Confit de Alho

Nos três últimos dias eu fui tomada por uma preguiça monstro. Era inexplicável o meu estado de letargia. Um mix de calor, tédio, saco cheio e protelação. Sim, protelação. Um monte de coisas que eu deveria ter feito e não fiz. Um monte de textos que deveria ter lido e não li. Um monte de páginas que deveria ter escrito e não escrevi.

Mas sempre há uma segunda-feira e junto dela aquela sensação de início. E é assim que começo o meu dia, a minha semana.

Fiz este confit na sexta-feira, mas a mongolice me impediu de postar no dia. Desde que comprei a revista fiquei de olho nesta receita. É uma receita do livro Nature, de Alain Ducasse.

Ficou uma delícia. Não tenham dúvidas.


Confit de Alho
(Inspirado na revista Saveurs – Maio 2010)

Ingredientes

03 cabeças grandes de alho roxo
02 ramos de tomilho
02 ramos de alecrim
15 grãos de pimenta preta
10 bagas de zimbro
300 ml de azeite de oliva
Sal a gosto

Esterilize um vidro com tampa.

Separe todos os dentes de alho e retire todo o excesso de pele. Deixe apenas a pele que envolve cada um deles. Coloque-os em uma panela. Junte o tomilho, o alecrim, a pimenta e o sal. Acrescente o azeite de oliva. Coloque a panela no fogo mais baixo possível do seu fogão e deixe por 30 minutos. O óleo não pode ferver, nem queimar. Retire a panela do fogo, deixe esfriar. Coloque os dentes de alho e os temperos, inclusive o zimbro, no vidro. Derrame o azeite por cima deles. Feche bem o recipiente e guarde em um lugar escuro por 30 dias.





janeiro 12, 2011

Picolé de uva para a Manu e Sorbet de Lichia para mim

Maternidade para mim é um lugar longínquo que eu não desejo visitar. Então, se algum desejo incosciente se manifesta ele apela para a minha sobrinha de 04 anos.

A Manuella não é uma criança toda fofa e meiga, bem pelo contrário, é uma criança arisca, mas comigo ela é um doce. E, embora nossos primeiros contatos tenham sido meio traumáticos, hoje geralmente são bem legais (a primeira vez que fiquei com ela a criança chorou por 5h seguidas. Um choro sentido, magoado. Depois cansou e dormiu soluçando e quem caiu no choro fui eu. Um choro cansado, inexperiente).

Eu sou aquela tia chata que diz “escova-os-dentes-lava-as-mãos-antes-de-comer-não sai-para-a-rua-come-na-mesa-não-grita-no-corredor”. Mas também sou aquela tia legal que lê-historinhas-faz-cosquinhas-brinca-de-pega-pega-tem-caixa-de-brinquedo-em-casa-e-vê-cocoricó.

Convidei a Manu para dormir aqui em casa ontem e perguntei o que ela gostaria de comer. Ela prontamente: Picolé e sorvete. Eu: não, picolé e sorvete não é comida-comida, é sobremesa. Comida é arroz, feijão, massa, pizza, sopa... A pirralha deu uma gargalhada e: “não, comida é picolé e sorvete”.

Não fiquei teorizando sobre alimentação com a criança até porque se ficasse discutindo muito eu acabaria cedendo que sorvete é comida, pois muitas vezes eu mesmo já substituí almoços por taças bem generosas de sorvete. Sendo assim, picolé de uva para ela e sorbet de lichia para mim.

Ela comeu o picolé quando chegou e ainda pediu o sorvete de lichia, fez o primeiro bolo de chocolate na sua batedeira (quem deu? quem deu?), brincamos, olhamos desenhos, jantamos e ela acabou indo embora. Não quis dormir aqui.


Picolé de uva da Manu

Ingredientes

01 quilo de uvas pretas
02 xícaras de água
Açúcar a gosto

Retire as uvas do cacho e as lave bem. Coloque a água e as uvas em uma panela alta e leve ao fogo. Deixe ferver por 30 minutos. Peneire o suco e deixe esfriar. Adoce a gosto e coloque em forminhas para picolé. Leve para o congelador por 2 horas.


Sorbet de Lichia
(Daqui)

700 gramas de lichias frescas
100 gramas de açúcar
200 ml de água
01 clara
01 pitada de sal

Retire as cascas e as sementes das lichias. Liquidifique a polpa por 1 minuto. Reserve. Em uma panela coloque a água e o açúcar, leve ao fogo alto por 10 minutos. Retire do fogo e deixe esfriar. Depois de frio misture a polpa de lichia. Se você tem sorveteira processe o creme nela por 20 minutos. Se não tiver, leve o creme ao congelador por 3 horas mexendo a cada 30 minutos. Um pouco antes de fechar as 3h (ou os 20 minutos da sorveteira) bata a clara em neve bem firme com uma pitada de sal. Misture a polpa gelada à clara em neve e leve ao congelador por 20 minutos.


janeiro 10, 2011

Dolce di ciliege – Artusi 677 [Bolo de Cerejas]

O dia amanheceu nublado e com um ventinho fresco hoje. “Dia perfeito para um bolinho”, pensei. E lá fui eu para a cozinha. No meio da execução da receita abriu um solaço e a temperatura deve ter subido alguns muitos graus.

O jeito foi continuar, e o calor sofrido (como sou dramática!) foi recompensado por este doce muito saboroso e que tem cara de outono.

Bolo de Cerejas - Dolce di ciliege – Artusi 677

“Por ser um doce caseiro é ótimo e merece ser descrito”

Ingredientes

200 gramas de cerejas cruas
100 gramas de açúcar de confeiteiro
50 gramas de pão de centeio
40 gramas de amêndoas
04 ovos - claras e gemas separadas
02 colher (sopa) de licor - Usei vinho do Porto
Aroma de baunilha ou casca ralada de um limão.

Pré aqueça o forno a 180º C

Rale o pão de centeio. Tire a pele das amêndoas* e pique-as em pedaços pequenos. Lave as cerejas, retire os caroços e as hastes. Batas as claras em neve bem firme. Unte com manteiga fria uma forma lisa e polvilhe com as amêndoas. Cuide para que todas as paredes da forma recebam a amêndoa e retire o excesso que não “grudou” na forma. Reserve.

Bata as gemas com o açúcar até ficar um creme espumoso. Acrescente o licor, a essência de baunilha (ou casca ralada de limão). Bata por mais alguns instantes. Acrescente o pão ralado e misture bem. Delicadamente acrescente à mistura as claras em neve e o restante das amêndoas. Coloque a mistura na forma previamente preparada e por último coloque as cerejas. Leve ao forno por 40 minutos.

 Para retirar fácil a pele das amêndoas: ferva 1 litro de água e coloque as amêndoas por 2 minutos. Enquanto isso molhe com água fria um pano limpo. Retire as amêndoas da água quente direto para este pano. Faça uma trouxinha e vá esfregando as amêndoas até sair a pele de todas.


As castanhas saidinhas ou o título equivocado?

Recebi de um anônimo um comentário-observação muito interessante no post de sexta-feira.

A receita do post tem como título Creme de manga e tâmaras e a foto que publiquei retrata uma tigela de creme de manga e três castanhas-do-Pára. Incoerência, não?! Embora a receita leve as castanhas, o título remete a outro ingrediente. Vacilo total.

A receita, como diz a Elisa Duarte Teixeira, é o texto culinário por excelência. Sendo assim ela –a receita-, possui alguns elementos obrigatórios, como título, ingredientes e modo de preparo. E ainda os elementos opcionais, como comentários, dicas, rendimento, informações nutricionais, categorizações e recursos icônicos. São os componentes estruturais e linguísticos da receita. E foi justamente no recurso icônico que errei. Como posso apresentar um creme de manga e tâmaras ilustrando a receita com castanhas? Hã?! Que feio...

Escrever receitas parece uma coisa bastante fácil, mas não é. Talvez pela presença do tema no nosso dia-a-dia é que tenhamos esta sensação. Desde sempre a gente ouve alguém dando uma receita na TV, no rádio. Ou ainda alguém que nos dita, pois “não segue receita, sabe de cabeça”. Existe a presença forte da oralidade nesta sensação de "é muito fácil". Mas e o texto escrito é fácil assim?

Eu tenho percebido isso com o blog. Parecia fácil sim, mas... então tenho que usar verbos. Uso parta ou corte? Acrescente, junte, coloque ou ponha? E se eu tenho que colocar alguma coisa várias vezes em algum lugar eu coloco-coloco-coloco ou ponho-ponho-ponho ou ainda eu coloco, depois eu ponho e depois eu meto???? E as quantidades, as medidas? Como faz? Uma xícara é quanto? Para mim é 240ml, mas as “xícaras-xícaras” aqui em casa, e na casa de todo mundo, geralmente tem 200ml. Não é tão simples assim. E nem vou entrar no mérito da tradução, que isso é papo longo e deixo para uma próxima conversa.

Eu, como tradutora e com um olhar de “linguista” sobre esses textos, consigo refletir sobre as sutilezas (ou nem tanto) que a escrita de uma receita pode apresentar para um leitor mais atento. Ou ainda o caos que uma receita mal escrita pode provocar na cabeça de um leitor menos experiente.

O meu estilo de escrever receitas, por exemplo, ainda não me deixa confortável. Eu sinto que pressuponho que quem está lendo minha receita já tenha noções mínimas de culinária, e vou levando o texto assim, falando para um interlocutor idealizado. Do mesmo modo que não coloco numeração nas etapas de preparo. Meu texto corrido talvez reflita a minha personalidade, que é assim saltitante, que não topicaliza, atropela.

Dias atrás eu estava pensando sobre o nome de alguns pratos. Não vou lembrar qual era a receita, mas dá para usar o caso em questão. Por que chamar Creme de manga e tâmaras, se tem castanhas também? Era algo assim, uma receita que tinha no título dois ingredientes, sendo que os outros entravam na mesma proporção na receita. E daí, como fica? Já percebi isso várias vezes, principalmente em receitas de revistas. É relevância do ingrediente ou o que? A quantidade? O nome mais bonito?

Vou observar mais atentamente.

Meu leitor Anônimo, obrigada pelo valioso comentário que possibilitou tal reflexão.



janeiro 07, 2011

Cozinha iluminada, creme de manga e Sabor Sonoro

Quando fiz o curso de fotografia eu disse para a turma que a minha cozinha era iluminada. Todo mundo caiu na gargalhada achando que eu estava me promovendo sugerindo que eu era excelente cozinheira. Verdade seja dita: ela é iluminada porque bate sol durante a tarde inteira.

Agora no verão qualquer coisa que eu queira cozinhar prefiro fazer antes do meio-dia. Depois disso se torna quase impossível parar dentro dela. Até a geladeira estamos pensando em colocar temporariamente no escritório, pois percebemos que a coitada anda trabalhando dobrado devido ao calor ao qual está sendo submetida. Além disso, as frutas amadurecem em questão de horas. Coloco um pêssego verde na fruteira hoje e amanhã ele está passado e, como não gosto de frutas muito geladas e reluto para colocá-las na geladeira, já penso em colocar a fruteira no quarto. Ali pelo menos tem ar condicionado e assim eu teria uma simpática “fruteira de cabeceira”. Dã!

Ontem comprei duas mangas que eram verdes, hoje elas já exalavam aquele perfume que só mangas maduras podem ter. Fui conferir e bingo: maduríssimas. Então não tive dúvidas quanto ao destino dessas meninas precoces: o creme de manga e tâmaras que vi a muito tempo no blog Sabor Sonoro.

O Sabor Sonoro foi o primeiro blog de gastronomia que acessei e tenho por ele um carinho todo especial. Foi muito por acaso, procurava uma receita de risoto para impressionar o novo namorado (atual namorido) e caí no blog do Marcel Gussoni. O blog que diz Você é o que come (e escuta) me conquistou na hora. Além de receitas muito práticas, bons textos e excelentes fotos, Marcel sempre indica uma trilha bacana para o prato. As "harmonizações" ficam ótimas.

Para saber a receita do creme de manga clique aqui. Assim, se você ainda não conhece o blog, já fica conhecendo.

Abaixo o creme que eu fiz. Ficou bem saboroso, mas tenha cautela, pois é um doce bem calórico e não dá para se lambuzar muito.


janeiro 06, 2011

Salada de grão-de-bico para almoços solitários

A proposta do Estate in Cucina, além de trazer pratos mais leves, é de me colocar na linha. Eu juro que tento. Estou fazendo reeducação alimentar (não dieta, porque dieta segundo a nutricionista é coisa do passado), tento seguir as quantidades, os horários, o tipo de comida, mas, mas, mas... Por exemplo, terça-feira minha lombrigas clamavam por um “X” de bacon (Sandra, querida, não leia isso) e, como tenho o coração mole, sucumbi.

E pior de tudo, ou o melhor, é que nem cara de pau para falar em culpa eu tenho, mas sei que nos outros dias tenho que dar uma amenizada nas coisas. Como almoço sozinha em casa geralmente pego bem leve mesmo. Aproveito para fazer coisas que eu gosto, mas que o marido não topa muito. Grão-de-bico é uma delas. O episódio que ele sempre conta de uma maneira muito divertida é que, num dos primeiros almoços de domingo quando viemos morar juntos, eu fiquei horas na cozinha, o cheiro era maravilhoso e ele achava que ia rolar um banquete, quando eu chamei dizendo que o almoço estava pronto, na mesa havia um único prato e feito com grão-de-bico. Ele olhou, procurou outras coisas ao redor, viu que era aquilo mesmo e pensou: me ralei com esta louca!

Dois fatos: eu sou péssima em almoços de domingo e eu adoro grão-de-bico.

Chega de trololó.

Salada de grão-de-bico

Ingredientes

01 xícara de grão-de-bico cozido
01 talo de salsão (aipo)
08 tomates cereja
½ cebola roxa
Sal, pimenta e azeite a gosto.

Corte em pedaços pequenos o talo de salsão (eu gosto de fatias de uns 2mm), parta ao meio os tomates e corte a cebola em fatias bem fininhas. Acrescente tudo ao grão-de-bico e tempere com sal, pimenta moída na hora e azeite. Deve ser consumida gelada.


janeiro 05, 2011

Beignet para receber a Befana

La Befana vien di notte
con le scarpe tutte rotte
con le toppe alla sottana
Viva, Viva La Befana!


Amanhã, 06 de janeiro, é dia de Reis e na Itália é dia da festa da Befana.

Pode-se dizer que a Befana é uma bruxa do bem. Embora voe numa vassoura e tenha uma aparência feia, ela é muito sorridente e, na virada do dia 5 para o dia 6, visita as crianças e deixa presentes em suas meias. Se a criança foi comportada durante o ano que passou, ganha balas e chocolates e se não, ganha um carvão (doce).

Segundo a lenda, os Reis magos se dirigiam a Belém para levar os presentes à Jesus, mas não conseguiam encontrar o caminho. Na estrada encontram uma velhinha e pediram informações para ela. Agradecidos pela ajuda, os Reis convidaram a senhora para acompanhá-los, mas ela não foi. Depois, arrependida, preparou um cesto de doces e foi procurar os Reis e o menino Jesus, mas não os encontrou. Na esperança de encontrar o pequeno Jesus, ela foi distribuindo doces em todas as casas onde encontrava uma criança. Desde então, gira o mundo dando presentes para as crianças.

Para receber a Befana deixa-se em cima da mesa um prato bem saboroso, uma laranja ou ainda uma taça de vinho. Na manhã do dia 06 as crianças saem ansiosas da cama a procura dos doces deixados por ela. 

Eu pensei em fazer os carvões, mas como todos nós nos comportamos muito bem no ano que passou, fico com a sugestão que Artusi dá para o dia da Befana: Pasticcini di pasta beignet (Artusi 631).

Eu fiz a receita da "pasta beignet" (patè à choux) do livro de Artusi, mas não sei se foi a minha descrença ou algo que eu tenha feito que a massa ficou toda granulada. A receita pedia somente 10 gramas de manteiga. Pensei até que pudesse ser um erro de digitação, mas procurei nas minhas três edições e em todas confirmam a quantidade. Muito estranho. O fato é que ficou terrível. Então decidi seguir a sugestão artusiana de beignet recheados com creme e cobertos com chocolate, porém a receita da massa é a que uso sempre.

Aliás, esta massa é a mesma utilizada para as bombas de chocolate, profiteroles, éclair e as zeppole (que serão feitas no dia 19 de março, dia de São José).

É uma massa básica e você pode rechear de diversas formas, inclusive com salgados (neste caso subtraia a colher de açúcar da receita abaixo).

Vamos ao nosso merecido doce e Viva la Befana!




Massa Choux

Ingredientes

01 xícara (240ml) de água
01 xícara de farinha
100 gramas de manteiga
4 ovos
01 pitada de sal
01 colher (sopa) de açúcar

Pré aqueça o forno a 250º C e prepare uma assadeira grande com papel manteiga.

Coloque a água e a manteiga em uma panela. Leve ao fogo e mexa até a manteiga derreter. Quando começar a ferver coloque de uma só vez a farinha. Retire a panela do fogo e mexa muito com uma colher de pau até ficar uma massa bem homogênea. Coloque esta massa em uma tigela fria. Acrescente um ovo e mexa para incorporar à massa. Somente depois de estar bem misturado é que se acrescenta o segundo, e assim sucessivamente. Coloque a massa, que deve ficar bem cremosa, mas não líquida, em um saco de confeitar. Use um bico largo e faça pequenos “bolinhos” na assadeira cuidando para deixar espaço entre eles, pois a massa cresce. Asse por 20 minutos em forno bem quente. Eles devem estar crescidos (altos) e dourados. Retire do forno e deixe esfriar.


Recheio de chantily

Ingredientes

350 ml de creme de leite fresco
02 colheres (sopa) de açúcar refinado – Usei açúcar baunilhado

O creme de leite deve estar bem gelado. Deixe alguns minutos no congelador antes de começar a bater o chantily, mas cuidado para que não congele. Na velocidade alta da batedeira bata o creme de leite e o açúcar até formar o chantily (3 min.). Deixe na geladeira até começar a trabalhar com os beignet.

Cobertura de chocolate

Ingrediente

250 gramas de chocolate ao leite

Derreta o chocolate em banho maria e coloque em um saquinho plástico. Faça um minúsculo furo na ponta do saco plástico para que o chocolate saia em fio. Reserve.

Montagem

Abra os beignet frios ao meio e recheie com o chantily. Depois que todos estiverem recheados e dispostos em uma travessa, faça desenhos sobre eles com o chocolate derretido. Leve a geladeira até o momento de servir.


Rend. 30 unidades

janeiro 03, 2011

Suco de melão e gengibre

A sensação de que passei as duas últimas semanas em volta de uma mesa (na verdade de várias) faz com que agora eu procure pratos mais leves, sucos refrescantes e lanches apropriados para a estação.

Hoje, no Estate in Cucina, a dica fica por conta desse suco de melão com gengibre.

Eu adoro gengibre. Acho que ele dá um toque todo especial onde é usado e me lembra muito os almoços no Bar Ocidente, lugar que eu frequentava bastante quando era "uma guria do bonfa".


Suco de melão e gengibre

Ingredientes

02 xícaras de polpa de melão em cubos – Usei o melão de polpa amarela o “gaúcho”
01 colher (chá) de gengibre picado
½ xícara de água
Cubos de gelo a gosto.

Bata todos os ingredientes no liquidificador até ficar cremoso. Sirva imediatamente.