setembro 29, 2011

Challah nada kosher

Dois tabletes de fermento biológico fresco figuravam na geladeira. A data de validade: 30/9/11, ou seja, amanhã. Na pressão de não perder o fermento, fui buscar uma receita de pão.

Peguei meus livros de culinária italiana e, por incrível que possa parecer, o pão é mencionado assim, levemente. Falam muito do panetone, da focaccia, da pizza... E o resto? E os pães da Toscana? Da Sardenha? Da Ligúria? Depois de 1h (!) procurando entre livros, revistas e livros italianos desisti. Nada de receita de pão italiano por aqui hoje. Fiquei de cara!

Bom, sabia que queria e teria de fazer pão. Não poderia ser nada italiano, por falta de receitas; não poderia ser nada com passas, pois se eu colocasse mais uma receita com elas no blog vocês começariam a pensar que meu pai é um grande "produtor" de uva passas, tamanha a quantidade de vezes que elas aparecem por aqui; não queria nada salgado, nem mesmo com calda de açúcar.

"Eu podia estar roubando, eu podia estar matando, mas eu só queria uma receita de pão."

Olhei para um livro que tem se tornado o meu oráculo* e lá estava: challah, um pão judaico.... Hm... fermento, farinha, passas somente se desejar, ovos, sementes de papoula ou de gergelim. És tu!

O challah é o pão tradicionalmente consumido no Shabbat (sabá) judaico. Tem uma massa ligeiramente adocicada, que leva muitos ovos e farinha branca, que depois de trançada, pincelada com ovo e salpicada com sementes de gergelim ou papoula antes de ir ao forno.

Duas peças de challah são servidas em cada uma das três refeições do Shabbat, com orações ditas sobre o pão. As peças representam a dupla porção de maná que teria caído do céu no sexto dia após sua fuga do Egito, enquanto os israelitas andavam em meio à natureza selvagem, fornecendo-lhes alimento para aquele dia e para o Shabbat, o dia que se seguiu.



Comecei a pesquisar receitas, fiz um monte de anotações, misturei as variações e acabei fazendo um challah ao meu modo.

Ingredientes

01 kg de farinha de trigo
30 gramas de fermento biológico fresco
03 ovos + 01 gema para pincelar
02 colheres (sopa) de óleo de canola
01 colher (chá) de sal
1/3 xícara de açúcar
1 1/2 xícara de leite morno
1/2 xícara de água morna
Sementes de papoula ou gergelim

Dissolva o fermento na água e no leite morno. Reserve por 10 minutos. Enquanto isso, coloque em uma tigela a farinha (reserve um pouquinho para a sova mais tarde), o açúcar, o sal e os ovos. Passado os 10 minutos, coloque o fermento na tigela da farinha e misture. Sove com bastante vontade por 10 minutos. Acrescente o óleo e sove por mais 10 minutos. Coloque a massa novamente na tigela e deixe levedar por 30 minutos (se o dia estiver escaldante como hoje, caso esteja frio, deixe por levedar por 1h). Polvilhe a farinha separada na superfície de trabalho, coloque a massa levedada e sove por 15 minutos. Divida a massa em dois e faça com cada uma delas uma rolinho. Faça uma trança**, coloque em uma forma untada, cubra com um plástico e deixe descansar por 1h-1h30 em uma lugar quente e sem vento. Depois do tempo de fermentação, passe CUIDADOSAMENTE a gema diluída em um pouco de água em toda a trança. Polvilhe com sementes de papoula ou gergelim.




* O livro é 1000 comidas para provar de morrer, da editora Sextante. Será que consigo? Tem coisas que beiram ao impossível....
** Não sei dizer como fazer essa trança. Se eu começar a tentar explicar, o resultado do seu pão vai ser algo parecido com um boneco de neve tamanha minha inaptidão didática. Eu aprendi aqui.

10 comentários:

  1. Carla, adorei a sua receita, eu adoro pão caseiro. O cheirinho dele assando é tudo.. uma receita a se experimentar, com certeza!
    Beijos, Vivian
    www.temperaria.com.br

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  2. E o fez maravilhosamente...Carla...Carla...tu andas com uma mão que "tá louco"!!! Que coisa mais linda! Amei! Amanhã é a minha vez de fazer algo diferente! Um beijo... e um queijo!!!

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  3. Caramba que sufoco heim! Menina, agora que você mencionou... realmente, na Itália parece não ter outros pães hihi
    De qualquer forma a sua escolha foi ótima. O Challah parece muito gostoso :)
    Um beijo, Queila

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  4. Carla,
    Realmente, o pão é algo indescritível e não há como começar um bom dia sem ele. Se for artesanal então... melhor ainda!
    Aliás, belíssimas fotos.

    Parabéns.
    Guilherme

    Curiosidade: Onde conseguiste semente de papoula?

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  5. Ficou lindo! Amo comidas judaicas! Bom final de semana! beijão, Cecilia

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  6. Carlinha que delicia e lindissimo está seu challah!! hahaha Adorei a história da busca pela receita...E sua receita foi mais do que bem colocada, já o ano novo judaico foi esta semana né?! :) Me diz uma coisa, onde vc arrumou as sementes de papoula?! Agora vou te plagiar: "Eu podia estar matando, eu podia estar roubando, mas só queria sementes de papoula!" hahahaha ;) Beijoos Tê

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  7. Carla, kkkkk, confesso que um pão com formato de boneco de neve seria super legal pras crianças!!!!

    E que cara de fofinho desse pão, adoro esses pães altos, apesar em ser uma negação em fazê-los! :(

    Beijo!

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  8. Adorei o pão e seu texto.
    Também amo cozinha e também tenho um oráculo, só que o meu é o Dona Benta e falo dele no meu blog Arquitute.
    Beijos e parabéns pela entrevista dada ao blogs de culinária.
    Ana Lúcia Mardegan
    Uberaba - MG

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Obrigada pela sua visita e comentário no Cucina Artusiana.