fevereiro 08, 2011

Cacimbinhas City e churros para um dia de chuva

Gravataí é uma cidade um tanto atrasada culturalmente. Ou melhor, atrasada no seu desenvolvimento cultural, digamos assim.

Talvez, pela proximidade com Porto Alegre, muitos serviços deixam a desejar por aqui. Por exemplo, não temos livrarias. Temos papelarias que vendem alguns livros, geralmente best sellers ou os dez mais das listas dos mais vendidos. Mas não livrarias-livrarias.

Não temos bons restaurantes e a cena gastronômica da cidade se resume basicamente em pizzarias e “xis”. Aliás, considero Gravataí a cidade do xis. A cada cem metros você encontra um trailer ou um ponto de vendas de xis e suas infinitas variações e sabores.

Não temos cinema e, quando ainda existia uma relutante sala, cansei de ir e ser única na sessão.

Não temos um bom supermercado e muitas das coisas que uso na minha cozinha (que nada tem de requintada!) busco em Porto Alegre. A cidade, que tem uma grande área rural e grandes produtores, não tem uma feira! Uma feira! Existem uns coitados que ficam na frente de uma escola aos sábados literalmente vendendo seu peixe,  pois são criadores de tilápia. Só!

Mesmo os restaurantes mais “bacaninhas” são muito aquém do que gostaria de encontrar por aqui. A proposta às vezes é bacana, mas a comida geralmente é ruim. Um restaurante de frutos do mar em que todos os pratos tem o mesmo gosto, outro onde os legumes se desmancham na boca de tão cozidos, outro que usa um molho tão artificial que chega arder os olhos. E o público, que até então não tinha o hábito de comer fora de casa, aceita porque o lugar é novidade ou porque não sabe o que deve exigir.

Gravataí, que eu carinhosamente chamo de Cacimbinhas, é uma cidade rica. Ela tem um dos PIBs mais altos do Estado, mas falta alguma coisa mais autêntica. Falta.

Mas a coisa está mudando. Recentemente abriu uma loja legal de vinhos que vende bons rótulos em um ambiente bonito, “rústico chique”. Tem um restaurante japonês que me deixa bem feliz e um outro que tem o melhor arroz e feijão do mundo (mãe, desculpa aí!). Tem dias que acordo já sabendo que quero almoçar na Léa e pedir o trio arroz-feijão-bife-de-fígado-acebolado. Atualmente este restaurante, totalmente despretensioso, é o que mais me satisfaz na cidade. Simples, trivial e muito, muito bem feito.

Gravataí é uma cidade pequena (territorialmente grande, mas...) e carrega este gostinho meio de interior. Moro no que chamo de "Centro Histórico". Perto da igreja matriz, do museu, do novo teatro (SESC que é uma tentativa de dar um fôlego para os gravataienses). Sendo assim, consigo fazer quase tudo que quero a pé. Em duas horas na rua consigo ir ao super, ao dentista, à lavanderia, almoçar, ir ao banco e passar na floricultura (onde os donos são uns senhores simpatissísimos!). Tenho quase tudo para a vida cotidiana num raio de 2km no máximo. Isso para mim, sinceramente, é luxo. Fora que é uma tranquilidade...

Mas porque tudo isso? Porque há algum tempo descobri uma revistaria no supermercado em que costumo ir. Ela fica bem escondida num cantinho e, como geralmente vou tarde fazer compras, o dono está sempre com uma cara de saco cheio e entediado. Porém, cada vez que eu e o José chegamos lá ele se anima. Falamos de churrasco, charutos, comida, revistas. Na verdade o acervo dele tinha poucas coisas que me interessavam, mas desde a segunda vez que fomos lá sempre tem algo que me chama atenção e, da última, ele veio todo faceiro me mostrar o que tinha recebido: A Cozinha Mexicana, da coleção Cozinha das 7 Famílias, da Larousse. Achei gracioso da parte dele a preocupação em trazer material que poderia me interessar.

O livro é uma graça. Super colorido, bom texto. Receitas fáceis. Foi nele que vi os churros, uma guloseima que eu adoro e que tem gosto de domingo no parque. Minhas lombrigas, caprichosas e mimadas, imediatamente ficaram em polvorosas. Não sosseguei até faze-los e o tempo também ajudou por aqui, pois choveu quase todo o dia. Perfeito!


Churros

Ingredientes

250 gramas de farinha
125 ml de óleo de girassol ou 125 gramas de manteiga
01 pitada de sal
250 ml de água
75 gramas de açúcar refinado
Canela em pó
Óleo para fritar.

Aqueça o óleo para fritura em uma grande frigideira de fundo espesso.

Aqueça a água, o óleo (ou a manteiga) e o sal em uma panela em fogo baixo. Quando começar a ferver, retire do fogo e coloque a farinha. Mexa com bastante força com uma colher de pau, ou espátula, até a massa ficar elástica e desgrudar facilmente da panela. Deixe esfriar um pouco e transfira a massa para um saco de confeitar com bico pitanga*. Faça churros de aproximadamente 15 cm de comprimento e deixe cair no óleo bem quente. Doure por 1-2 minutos e coloque sobre papel absorvente. Em seguida passe os churros numa mistura de açúcar com canela. Se desejar sirva com doce de leite.

*Os meus churros ficaram finos, pois não tenho um bico pitangão, só pitanguinha!

Um comentário:

  1. Olá Carla,
    Fiquei encantado com seu comentário, obrigado.
    Vim retribuir e conhecer seu blog, fiquei mais encantado ainda, parabéééns! É cheio de delícias, vou colocar lá na lista de links, se permitir.
    Sobre sua cidade, tenho certeza que é linda e cheia de encantos, apesar de seu relato.
    Aliás, eu poderia somente trocar os nomes das cidades e ele seroa perfeito para descrever Indaial, onde eu e a @bibielisa moramos, e Blumenau, nossa vizinha maiorzinha. Nossas cidades são praticamente idênticas, rsss.
    Bem, mais uma vez, obrigado pela visita e pelo comentário.

    ResponderExcluir

Obrigada pela sua visita e comentário no Cucina Artusiana.