dezembro 29, 2010

Capodanno e lenticchie passate per contorno – Artusi 415

Dizem que o costume de comer lentilhas na virada de ano para garantir prosperidade e sorte no ano que chega vem dos italianos. Assim, fui buscar uma receita com lentilhas "tipicamente italiana" que pudesse servir de sugestão para sexta-feira, e o que encontrei foi uma série de pratos substanciosos, untuosos e cheios de carnes, ou seja, pratos ótimos para as temperaturas baixas que faz na Itália nessa época . Ovvio!

Então procurei algumas receitas mais leves e achei saladas, sopas e várias outras receitas com cara de verão, mas como este blog é, antes de qualquer coisa, um blog com pretensões linguísticas, e não pude resistir a essa receita artusiana: “Passato di lenticchie"

Artusi era um cara que estava no meio do fogo cruzado de uma Itália recém unificada e traz, através da Ciência, várias reflexões linguísticas sobre esse novo Estado. Como não poderia deixar de ser, o léxico culinário italiano é repleto de estrangeirismos, principalmente do francês, assim há um esforço para mudar essa situação e criar a noção de identidade linguística, principalmente através da adaptação dos termos estrangeiros para o italiano (regional ou nacional).

O texto de Artusi reflete esse processo de maneira bem humorada, mas bastante sintomática:

“Esta receita se chamaria purée de lentilhas, mas Rigutini [linguista da época] adverte-nos de que a verdadeira palavra italiana é passato, aplicável a todos os tipos de legumes, batata, inclusive. Então, para fazer um “passado” e não um “presente” com lentilhas, coloque-as...”

Provavelmente o nome "passato" é dado aos purês pelo processo em que são feitos: eles são, literalmente, passados no passaverdura ,  um utensílio bem bacana (que quero loucamente!) que serve para "esmagar" os alimentos. 

Então, vamos ao nosso purê de lentilhas.

Lenticchie passate per contorno – Artusi 415

Ingredientes

500 gramas de lentilhas
20 gramas de manteiga
01 cebola pequena
¼ xícara de salsinha picada
01 talo de salsão (aipo) picado
01 cenoura pequena picada
300 ml de caldo de legumes
Sal e pimenta a gosto

Cozinhe as lentilhas com um pedaço da manteiga até que estejam macias, mas não desmanchadas. Escorra a água e passe as lentilhas em um processador ou liquidificador. Reserve. Em uma frigideira alta refogue com o restante da manteiga, a cebola, o salsão e a cenoura. Quando estiver bem dourado acrescente a salsinha picada e o caldo de legumes. Desligue depois de 5 minutos após começar a ferver. Coe e utilize este molho líquido para dar sabor ao purê, cuidando para que fique bastante consistente. Acerte o sal e sirva como acompanhamento para carnes ou até mesmo para torradinhas.


dezembro 27, 2010

Salada de peras e erva-doce

Essa salada fica de sugestão para a noite de reveillon caso queiram algo mais “chiquetoso”.



Salada de peras e erva-doce
(adaptado do livro Saladas – Culinária Ilustrada passo a passo)

02 peras grandes e maduras
01 bulbo grande de erva-doce (funcho)
30 gramas de queijo gorgonzola
10 gramas de pinoli
Suco de 01 limão
03 colheres (sopa) de azeite de oliva
03 colheres (sopa) de vinagre de vinho tinto

Faça o molho de gorgonzola: esfarele o queijo em uma tigela. Acrescente o azeite de oliva e o vinagre. Misture bem. Caso fique um molho muito espesso acrescente partes iguais de azeite e de vinagre. Coloque no refrigerador até montar a salada.

Descasque as peras e retire as sementes. Corte ao comprido em fatias finas e as regue com suco de limão para não oxidarem. Corte em fatias finas o bulbo de erva-doce e disponha em um prato intercalando-as com as fatias de peras. Faça um círculo com o molho de gorgonzola sobre as fatias. Cuidado para não exagerados no molho, pois ele é bastante forte. Em uma frigideira toste os pinolis (cuidado para não queimar) e os coloque sobre a salada. Decore com ramos de erva-doce.

Sanduíches de vegetais refogados pós final de semana natalino

Depois da comilança de Natal tento a redenção com estes sanduíches, pois não posso nem ver mais carne na minha frente. Hoje a minha vontade é de só comer saladas e mais saladas, mas sei que um pouquinho de carboidrato é necessário, então fiz este pão ontem com a ideia de usá-lo nos sanduíches.

Tudo muito fácil e apetitoso. Ótima sugestão para substituir a janta de quando em vez.



Pão Caseiro

Para o fermento

30 gramas de fermento biológico fresco
02 colheres (sopa) de farinha de trigo
01 colher (chá) de açúcar
200 ml de água morna

Para a massa

500 gramas de farinha de trigo
01 colher (chá) de sal
100 ml de óleo de sabor neutro
100 ml de água morna

Dissolva o fermento com a água e acrescente a farinha e o açúcar. Deixe levedar em um lugar morno até que duplique o seu volume (+- 30 min). Coloque a farinha em uma tigela e faça um furo no centro. Acrescente o óleo, o fermento levedado, o sal e a água. Amasse até que se torne uma massa lisa. Continue amassando por 10 minutos. Deixe levedar em lugar morno até que duplique seu tamanho (+- 30 min.). Retire da tigela e tire todo o ar da massa amassando bem e reduzindo o seu volume. Divida em dois pedaços, dê a forma desejada, coloque em formas untadas e polvilhadas com farinha e deixe descansar por mais 30 minutos. Asse em forno médio (180º C) por 40 minutos ou até que fiquem dourados.


Sanduíche de vegetais refogados

Ingredientes

Fatias de pão
01 berinjela
01 abobrinha italiana
01 pimentão amarelo
01 cenoura
02 tomates
Mostarda Dijon
Azeite, sal e pimenta a gosto

Corte todos os legumes em fatias finas e os refogue (exceto o tomate) em um pouco de azeite quente por 5 minutos. Tempere com sal e pimenta. Deixe esfriar. Corte fatias de pão e passe mostarda a gosto. Monte os sanduíches alternando o refogado e as fatias de tomate. Sirva frio.



dezembro 21, 2010

Melancia calada e garantida

Se existe uma fruta com cara de verão é a melancia. Quando começo a perceber que as barraquinhas de beira de estrada que no inverno vendem lenha começam a vender melancias é porque o verão está perto.

Melancia, pelo menos para mim, sempre foi uma fruta muito social. Ok, eu sei que hoje são vendidas em fatias nos mercados ou ainda em tamanhos mini, mas para mim tem cara de domingo escaldante em família onde um carroceiro passa na frente da casa gritando “Olha a melancia calada e garantida. Melancia.”

Meu pai comprava melancia assim (na verdade ainda compra) e colocava no tanque com água fresca. Depois de um tempo a gente se reunia em volta da fruta, ele cortava e cada um ficava bem feliz com sua fatia alla Magali. Sem esquecer o arremesso de sementes, lógico.

Agora, se você deseja uma maneira mais bonitinha de comer melancia a dica é esta receita. A primeira da série Estate in Cucina


Salada de Melancia
(Do livro Natureza para Comer)

Ingredientes

½ melancia média
¼ xícara de folhas frescas de hortelã picadas
¼ xícara de salsinha picada
¼ xícara de cebolinha picada
½ xícara de suco de limão
Azeite de oliva, sal e pimenta a gosto

Com um boleador faça bolinhas com a polpa da melancia e coloque numa tigela. Faça um molho com o restante dos ingredientes e regue a melancia. Sirva bem gelado.

Dica: caso a mistura agridoce não lhe agrade, mantenha somente a hortelã e a melancia. É uma delícia muito refrescante.

dezembro 20, 2010

Antipasti: Patê rústico e Refogado com manjerona

Uma mesa de antepastos e um bom vinho eu acho uma boa pedida quase sempre.

Eu gosto muito de antepastos e tenho que me cuidar para não me empolgar demais com eles e acabar servido só isso em uma janta. Ainda mais se forem pastinhas para comer com pão.

Aqui mais duas receitinhas bem fáceis para acompanhar aquele pão italiano tostado com azeite de oliva:

Patê rústico
(adaptado da revista Cucina Moderna- Dicembre 2009)

Ingredientes

300 gramas de fígado de galinha
100 ml de vinho branco
02 dentes de alho
03 folhas de sálvia
10 frutos de zimbro
Azeite de oliva, sal e pimenta a gosto

Limpe os fígados e cozinhe por 5 minutos em água fervente. Escorra e leve-os, junto com os outros ingredientes, ao processador (ou liquidificador). Bata até ficar uma pasta. Em uma frigideira coloque um pouco de azeite de oliva e refogue esta pasta por 5 minutos, mexendo sempre para não queimar. Acerte o sal, coloque em um recipiente com tampa e leve ao refrigerador até a hora de servir.


Tomates e pimentão refogados com manjerona

Ingredientes

15 tomates cereja
½ pimentão vermelho
01 cebola pequena
01 dente de alho
02 colheres (sopa) de azeite de oliva
Folhas frescas de manjerona
Sal e pimenta do reino a gosto.

Corte os tomates ao meio. Pique o alho. Corte o pimentão e a cebola de maneira grosseira, nada muito certinho. Refogue o alho e a cebola com azeite de oliva. Acrescente os tomates e o pimentão. Mexa para misturar bem o azeite em todos os ingredientes. Tempere com o sal e a pimenta. Retire do fogo e coloque as folhas frescas de manjerona. Tampe a frigideira. Deixe esfriar, sirva com pão e lascas de queijo parmesão.


Cozinhar para quem ainda não conheço e carpaccio de berinjela

Eu adoro receber os amigos em casa. Fico pensando por dias o que vou servir, o que pode agradar mais nossos convidados, a louça que vou usar à mesa, qual prato principal, qual sobremesa... É uma função que me dá prazer. E modéstia a parte (!) me considero uma boa anfitriã. Aliás, nos consideramos bons anfitriões. José também é bom nisso. Fica pensando no cardápio junto comigo, dá sugestões e é responsável pelas bebidas do encontro. É tão bom isso. Abrir nossa casa para os amigos, para conversas agradáveis e risadas, muitas risadas. Nós adoramos.

Eu fico pensando: se somos assim morando em apartamento, imagina quando morarmos em casa com pátio, árvores e claro, meu espaço gourmet?! Não sei quando isso vai acontecer, mas quando acontecer vai ser muito legal. Já penso naqueles almoços ao ar livre, na sombra de uma árvore...



Mas se tem algo que me dá medo é cozinhar para pessoas que ainda não conheço. Fico com receio de cometer uma gafe culinária. Fazer carne para um vegetariano, um doce, bem doce de sobremesa para alguém diabético, camarão para quem tem alergia. Pode acontecer, ora. Por isso que sempre quero saber se há restrições alimentares. Já estive prestes a mandar questionário para pessoas que viriam jantar aqui e eu não conhecia. Mas então pensei que seria declarar minhas paranóias assim, logo de cara e fiquei só na investigação superficial mesmo.

Tudo isso para dizer que neste final de semana recebemos a Daniela e o Felipe. Ela é colega de trabalho do José e o Felipe, marido dela. Eu não os conhecia, mas ouvia falar muito da Dani aqui em casa, pois é ela quem aguenta as rabugices profissionais do José, então queria de alguma forma recompensar a pobre menina. E que fosse pelo estômago.

Decidi fazer uns antepastos leves e frios porque o calor estava demais. Uma carne, pois tinha informações que eles gostam muito, salada verde e de sobremesa panna cotta com calda de frutas.

O encontro foi muito legal. Conseguimos juntar, numa noite quente de sábado, quatro tagarelas que não calaram a boca por um minuto. Tudo era assunto, tudo era polêmica. Assim que é bom!

Vou passar as receitas dos antepastos e da sobremesa, pois esqueci, na empolgação da conversa, de tirar foto do “filet au poivre da Rosângela” (eu sei, Rô, imperdoável!), então para me redimir, logo, logo farei a receita novamente.

Ao longo do dia, durante meus intervalos – porque ainda não estou de férias-, postarei as receitas.


Carpaccio de berinjela com molho pesto

01 berinjela grande

Limpe e corte em rodelas finas a berinjela. Em uma frigideira quente, e sem qualquer tipo de gordura, disponha as fatias, cuidando para não sobrepor umas as outras. Doure dos dois lados. Desligue o fogo e tampe a frigideira para que elas “suem”. Repita a operação com todas as fatias. Reserve.

Pesto de manjericão
(Do livro Natureza para Comer)

20 folhas de manjericão fresco
01 dente de alho
20 gramas de pinolis
30 gramas de queijo parmesão ralado – Usei grana padano
¾ xícara de azeite de oliva
Sal a gosto

Coloque todos os ingredientes, exceto o azeite, em um almofariz (ou ainda em um processador). Amasse bem, acrescentando o azeite aos poucos. Acerte o sal, coloque num recipiente com tampa e leve à geladeira por 2 horas.

Montagem

Coloque as fatias de berinjela em uma travessa e, em cada uma delas, coloque pouquinho do molho pesto. Regue com fios de azeite de oliva. Sirva frio.



dezembro 17, 2010

Macedonia - Artusi 772

A minha saga com essas frutas começou no início da semana quando tive que mudar de planos em função da queda de temperatura e colocá-las no forno. Eu gosto de frutas assadas. Acho que sempre gostei. Gosto de frutas com a comida também. Nos churrascos o abacaxi com canela tem minha atenção especial, e se tiver uma laranja de umbigo... melhor ainda.

Minha avó paterna fazia uma conserva de uvas verdes (verdes mesmo, nada maduras) para comermos com carne assada. Eu era bem pequena, mas lembro dos potes grandes e cheios de bolinhas verdes. Os adultos adoravam, as crianças nem tanto. Um dia ainda faço esta conserva de gosto ácido e nostálgico.

Mas então, mesmo fazendo uma quantidade considerável de frutas ao forno ainda sobraram algumas e ontem aproveitei para fazer a Macedonia, ou se preferirem, Salada de Frutas.

A Macedonia é a receita Nº 772 do livro de Artusi e está na categoria “Sorvetes”.

Artusi sugere que após picadas e adoçadas com uma quantidade considerável de açúcar e suco de 1 limão, as frutas devem repousar por 30 minutos e depois levadas para congelar. Na época não existiam congeladores então a dica era uma caixa com gelo e sal. Depois de horas gelando, era só desenformar e servir este “bolo gelado e marmorizado”.

Eu não segui a receita, apenas piquei as frutas. Não adocei, pois aqui em casa não usamos açúcar em frutas, sucos e cafés, e não congelei, porque queria frutas para comer logo.

Me dei conta também que salada de frutas para mim obrigatoriamente tem que ter bananas. Salada de frutas sem bananas, não é salada de frutas! Ó, musa das frutas.


Em tempo: o nome Macedonia provavelmente é uma alusão à heterogeneidade do povo da Macedônia.

dezembro 15, 2010

Zelten Trentino

Mais uma receita natalina italiana. Agora vamos para o norte da Itália com este bolo de frutas secas e rum.

O seu nome zelten vem do alemão selten, que significa raramente, pois este bolo é feito só no Natal. Ele tem duas versões bem conhecidas: a trentina e a do sul tirolês. A que faço aqui hoje é a trentina que, segundo as fontes pesquisadas, é mais leve, mais macia.

É rico em frutas secas e no seu sabor predomina o gosto do figo, que na hora que você for comprar, vai pedir por Figos Turcos, não figos secos, muito menos figos cristalizados. São coisas diferentes.

É fácil de fazer, mas o custo é um pouco mais elevado. Mas como o próprio nome já diz, é tão raramente que vale a pena.


Zelten Trentino
(daqui)

Para meia receita:

250 gramas de figos turcos
20 gramas de amêndoas
20 gramas de nozes
20 gramas de avelãs
20 gramas de pinoli
60 gramas de uvas-passas – brancas e pretas
150 ml de rum
02 ovos – claras e gemas separadas
01 gema para pincelar
40 gramas de manteiga
150 gramas de farinha
50 gramas de açúcar
150 ml de água morna
01 colher (sopa) de fermento em pó para bolo




Separe algumas frutas para decorar. Pique as frutas restantes em pedaços grandes. O figo, por exemplo, pode ser dividido em 5 pedaços. Em uma tigela misture todas as frutas secas picadas e regue com o rum. Reserve por 1h. Bata as claras em neve. Reserve. Peneire a farinha com o fermento. Reserve. Bata as gemas junto com o açúcar até resultar um creme amarelo claro. Derreta a manteiga cuidando para não ferver, e coloque no creme de gemas. Mexa com uma colher de pau até incorporar toda a manteiga. Acrescente as frutas e o rum mexendo sempre e acrescentando a água morna. Misture bem todos os ingredientes, tudo deve estar muito bem incorporado. Acrescente aos poucos a farinha peneirada com o fermento. Parece meio difícil de misturar tudo, mas mantenha a calma que tudo vai dar certo. Depois de tudo misturado acrescente as claras em neve cuidadosamente para que elas não percam as bolhinhas de ar, assim não perdemos a leveza do bolo. Unte uma forma com manteiga e farinha e coloque a massa. Use as frutas reservadas para decorar o bolo e pincele com 1 gema. Leve ao forno pré-aquecido a 200º C. Asse por 1h, ou faça o teste do palitinho. Sirva frio.



O Papai Noel que aparece espiando esta receita foi um presente da Maria Cristina, a Cris, minha colega de sempre do Italiano na UFRGS e por quem eu tenho um carinho todo especial. Cris, obrigada pelo mimo, obrigada pelos colos tantos e por aguentar minhas choradeiras.  

dezembro 13, 2010

A “loucuragem” de dezembro e frutas que mudaram de destino

Eu sei que estou em débito, que não publiquei receita alguma na sexta-feira e muito menos passei a receita do bolo do meu aniversário, mas sei que vocês sabem que dezembro é um mês bem complicado onde tudo é para ontem. Tive algumas provas e um artigo bem importante para entregar e acabei dedicando todos os minutos da minha vida à faculdade.

Além da correria toda, o calor da semana passada foi para matar! Aiii, como eu detesto o calor! Se eu tivesse muita grana com certeza iria sempre atrás do frio e, numa semana como a que passou, eu estaria em qualquer lugar onde tivesse frio, lareira, muita roupa e vinho tinto.

E foi no maior clima de “moro num país tropical, abençoado por deus e bonito por natureza” que comprei frutas fresquinhas no final de semana. A intenção era hoje fazer uma salada de fruta alla Artusi: iria fazer uma Macedonia, mas o tempo virou, e se ontem estávamos cozinhando a 36º C, hoje eu louvo a existência com a temperatura de 19º C.

Mudança de planos na cozinha. O que fazer então com tantas frutas? Levá-las ao forno, ora! Li esta receita em uma das minhas revistas mais queridas e decidi que este seria meu almoço.

Frutas ao Forno
(daqui)

2 xícara de frutas picadas –Usei morangos, uvas, banana, cerejas, mirtilos, manga, pêssego amarelo, pera.
lascas de manteiga – Só para dizer que usou
1 colher sopa de açúcar mascavo

Papel manteiga

Pré aqueça o forno a 250º C.

Você vai fazer uma trouxinha de frutas com o papel manteiga: coloque as frutas picadas sobre o papel e feche como uma trouxa. Se achar necessário use um cordão para fechar bem o pacote. Coloque sobre uma assadeira e leve ao forno por 15 minutos. Sirva com iogurte natural ou mesmo sozinhas.

dezembro 08, 2010

Passulate

Mais uma receitinha da série Natal 2010.

Passulate é um doce natalino típico da Calábria e me lembrou muito um outro, do qual não sei o nome, que a avó calabresa de uma amiga faz. É um doce de gergelim e mel também assado na folha de limão. Uma gostosura! Aliás, espero em breve trazer esta receita para cá, pois já “me autoconvidei” para ajudar na próxima vez que ela fizer o doce.



Eu adorei o resultado que para mim era inevitável: juntar nozes, passas, amêndoas e mel é sucesso na certa!

Passulate – Doce de frutas secas e mel
(retirado daqui)

500 gramas de uvas-passas – Usei pretas e brancas
250 gramas de nozes
250 gramas de amêndoas
Casca ralada de 1 limão
½ xícara de mel
½ colher (chá) de canela em pó
½ colher (chá) de cravo em pó
¼ xícara de vinho doce – Usei vinho de sobremesa
Farinha o quanto baste - Usei mais ou menos ½ xícara.
Folhas de limão


Pique as uvas-passas, coloque em uma tigela grande e as regue com o vinho doce. Reserve. Retire a pele das amêndoas* e, juntamente com as nozes, pique tudo em pedacinhos. Acrescente às uvas-passas. Coloque a casca de limão ralada, a canela e o cravo em pó. Esquente o mel e, quando começar a ferver, retire do fogo e junte às frutas. Mexa bem para incorporar o mel. Junte farinha aos pouco para formar uma massa pesada, dura. Passe um pouco de farinha em uma superfície lisa e limpa. Abra a massa com um rolo na espessura de 0,5cm. Se a massa estiver um tanto mole passe farinha no rolo e na superfície da massa. Ficará mais fácil de abri-la. Unte uma assadeira com um pouco de azeite de oliva e coloque as folhas de limão limpas. Corte a massa em quadradinhos ou losangos. Um pedacinho para cada folha de limão. Leve ao forno e asse por 15 min. Sirva frio.



* Para retirar fácil a pele das amêndoas: ferva 1 litro de água e coloque as amêndoas por 2 minutos. Enquanto isso molhe com água fria um pano limpo. Retire as amêndoas da água quente direto para este pano. Faça uma trouxinha e vá esfregando as amêndoas até sair a pele de todas.

Fiz metade da receita e consegui 25 porções.

dezembro 06, 2010

Os 30 chegaram


Ontem fiz 30 anos! E para receber a família fiz esta torta que foi uma audácia: torta mousse de muitos chocolates. Quando tirei da forma e vi que ficou lindona, quase chorei de tão emocionada.

Biscoitinhos de Gengibre (Gingerbread)

Aline pediu e eu fui atrás: biscoitinhos de Natal que pudessem servir para presentear os amigos.

É uma boa dica para esta época de delírio consumista. Vá para a cozinha, procure uma receita bacana e faça com bastante carinho para quem você gosta. Procure uma embalagem bonita, faça um bilhetinho sincero e presenteie.

Assim você economiza grana, faz um agrado autêntico, não enfrenta filas e ainda relaxa enquanto prepara a receita. Perfeito.


Biscoitos de Gengibre – (Gingerbread)
(retirado daqui)

350 gramas de farinha de trigo
160 gramas de açúcar
150 gramas de manteiga gelada
01 ovo
02 colheres (chá) de gengibre em pó
02 colher (chá) de canela em pó
01 colher (chá) de cravo da índia em pó
¼ colher (sopa) de noz moscada ralada na hora
01 colher (sopa) de bicarbonato em pó
01 pitada de sal


Em uma tigela grande peneire a farinha e o açúcar. Acrescente o restante dos ingredientes em pó. Misture. Acrescente o ovo e o mel e por último a manteiga cortada em pedacinhos. Se você utilizar um processador misture tudo com a velocidade média. Se fizer com as mãos, que é o meu caso, amasse bem a mistura até a manteiga ser incorporada por completo. Envolva a massa com PVC e deixe descansar na geladeira por 1h.

Pré aqueça o forno a 180º C.

Retire da geladeira a massa e a divida em dois pedaços. Um deles deve voltar para a geladeira. Forre uma assadeira grande com papel manteiga. Abra a massa em espessura de 4mm e corte com moldes de motivos natalinos. Asse por 10-15 minutos. Enquanto assa a primeira fornada, abra a segunda metade de massa e disponha em outra assadeira. O processo de abrir e cortar a massa não pode ser demorado, pois a massa amanteigada fica difícil de trabalhar quando esquenta. Se achar necessário molhe as suas mãos em água gelada e seque para que o calor das mãos não atrapalhe.

Para conservar os biscoitinhos deixe esfriar e coloque em uma lata ou pote muito bem fechado.

dezembro 02, 2010

(Parênteses) - Por uma questão de justiça

Ontem eu postei isso no Twitter:

"Está chovendo pq o José decidiu ir para a cozinha hj! Fato inédito! Cardápio: pão com ovo e linguiça do Bola. Mais ogro impossível!!!! "

Quanta ingenuidade! Olhem o que o moço fez! Dois anos escondendo os dotes culinários. Sei.

Panettone Marietta – Artusi 604

Ah, o panetone! Dezembro é o mês dele e por aqui ele vai deixar a sua marca também.

Eu gosto bastante de panetone e é o segundo ano que eu mesmo faço os da família. Ano passado eu fiz a receita da Ana Elisa do La Cucinetta e neste ano, já que estou no espírito artusiano, acabo de fazer esta receita.


 A Marietta em questão é Marietta Sabatini a cozinheira que acompanhou Pellegrino Artusi em suas aventuras culinárias. É dela a frase “tra la penna e le pentole”, dizendo, em uma entrevista, que Artusi “estava sempre entre o escritório e a cozinha, entre a caneta e as panelas”. Eu adoro esta referência dela e não foi à toa que a escolhi para dar o tom deste blog. Fico imaginando ele indo e vindo, lendo, anotando, fazendo observações, quase desnorteado em uma casa repleta de aromas de uma cozinha muito ativa. Lindo!


A receita é, acredito, a mais básica possível se tratando de panetone. Segundo Artusi: "é um doce que merece ser recomendado, porque é bem melhor do que o panetone de Milão, que se encontra à venda e requer pouco trabalho."

Panettone Marietta - Artusi 604

“Marietta é uma cozinheira de talento e tão boa e honesta, que faz por merecer que eu intitule este doce com o seu nome, tendo aprendido a fazê-lo com ela”

Ingredientes

300 gramas de farinha de trigo peneirada
100 gramas de manteiga em temperatura ambiente
80 gramas de açúcar
80 gramas de uvas-passas
20 gramas de frutas cristalizadas
01 ovo inteiro
02 gemas
01 pitada de sal
10 gramas de cremor de tártaro
05 gramas de bicarbonato de sódio
Raspas da casca de 01 limão
200 ml de leite

Pré-aqueça o forno a 200º C

Bata os ovos e a manteiga até ficar um creme. Acrescente a farinha e, aos poucos, o leite. A massa não pode ser muito dura nem muito líquida. Misture bem. Acrescente o açúcar, o sal, a casca de limão, continue batendo por pelos menos 10 minutos. Acrescente as frutas cristalizadas e as uvas-passas, continue batendo. Adicione o cremor de tártaro e o bicarbonato de sódio. Bata até incorporar bem as frutinhas. Unte com manteiga forminhas específicas para panettone ou ainda uma forma redonda com paredes altas. Polvilhe com açúcar de confeiteiro e leve ao forno por aproximadamente 1h.

Agradecimentos ao Seu Paulo, pai da professora Claudia, que me mandou as forminhas de papel e como se não bastasse, ainda mandou os pacotinhos e os arames para fechar as embalagens. Seu Paulo, espero que não fique decepcionado com os meus panetones. Obrigada pelo mimo!

dezembro 01, 2010

Struffoli - Doce Napolitano de Natal

Dezembro chegou e com ele as receitas de Natal. E, mesmo eu sendo meio casmurra e avessa a este espírito natalino todo, não poderia deixar de postar algumas comidinhas tradicionais.

Começo então o Natal 2010 com esta receita simpaticíssima: Struffuli, um doce típico da tradição napolitana.

A origem dos struffoli parece ser na Grécia Antiga e é do grego que, segundo alguns pesquisadores, derivaria o nome struffoli, mais precisamente da palavra “strongoulos”, ou seja, “de forma arredondada”. Para outros a palavra struffolo deriva de strofinare [esfregar], que é o gesto que faz quem trabalha com a massa para arredondá-la como uns bastõezinhos antes de cortá-las.

A receita é muito difundida pela Itália e assim recebe várias versões. Na Calábria se chama “cicirata” ou “turdiddi” na Umbria e em Abruzzo “cicerchiata” e em Palermo “strufoli”.

Eu estava de olho nesta receita desde que comecei a ler o Giallo Zafferano, mas nunca tinha me animado. Que besteira! Perdi tempo, pois é um doce muito fácil de fazer e o resultado é muito bom. Eu adorei a cor, a textura e o gosto.


Struffoli
(Retirado daqui Giallo Zafferano)

Ingredientes

Massa

400 gramas de farinha de trigo
40 gramas de açúcar
3 ovos + 1 gema
½ xícara de rum
60 gramas de manteiga em temperatura ambiente
Raspas de ½ casca de laranja e ½ casca de limão
01 pitada de sal

Óleo para fritar

Cobertura

1 xícara de frutas cristalizadas
350 ml de mel
Confeites coloridos – Não utilizei


Em uma tigela coloque a farinha e faça um buraco no centro. Acrescente os ovos, o açúcar, o sal, as raspas de laranja e limão, o rum e a manteiga. Misture com as mãos até ficar uma massa homogênea que não gruda mais nas mãos. Enrole em um pano limpo e deixe descansar por 30 minutos. Passado o tempo divida a massa em 6 parte e com cada uma delas faça um rolinho e corte pequenos pedaços. Frite em óleo quente. Fritos eles devem ficar dourados e não muito escuros. Frite todos e reserve. Aqueça o mel em uma frigideira apenas o suficiente para que fique mais líquido. Coloque na frigideira os struffoli fritos e mexa até incorporarem o mel. Acrescente as frutas cristalizadas e os confeites. Mexa mais um pouco. Coloque em um prato e disponha os struffoli em forma cônica. Decore com confeitos.