outubro 27, 2010

Bolo de banana e tâmaras com cobertura de caramelo

Sexta-feira é aniversário do maridão e, como ele não trabalha no dia do aniversário, me pediu para fazer um bolo para os colegas de empresa para levar amanhã. “Algo que dê para comer na mão”, pediu ele.
Ok, lá fui eu procurar nas minhas Gulas e Gostos e não achei nada, não resisti e fui conferir a lista de bolos da Patricia Scarpin, do Technicolor Kitchen que é super talentosa e criativa.

Optei em fazer um bolo como este daqui. Gosto de especiarias, açúcar mascavo e bananas. Só não tinha chocolate nem nozes em casa, mas nada que algumas adaptações não resolvessem.
Pelo jeito ficou bem bom!

Bolo de banana e tâmaras

Bolo:
2 xícaras de farinha de trigo
1 colher (chá) de canela
½ colher (chá) de noz-moscada ralada
¼ colher (chá) de cravo em pó
1 colher (chá) de sal
1 colher (chá) de bicarbonato de sódio
3 ovos
1 ¼ xícaras de óleo vegetal
1 ¾ xícaras de açúcar
1 colher (sopa) de baunilha
½ xícara de tâmaras secas cortadas em cubinhos
3 bananas maduras em cubinhos

Caramelo:
½ xícara de açúcar mascavo – aperte-o na xícara na hora de medir
2 colheres (sopa) de leite integral
4 colheres (sopa) de manteiga sem sal picada

Peneire a farinha, o cravo e a canela em pó, a noz moscada, o sal e o bicarbonato. Reserve. Na batedeira em velocidade média bata por uns 3 minutos os ovos, o óleo e o açúcar. Coloque a essência de baunilha e bata mais um pouquinho. Aos poucos coloque os ingredientes secos peneirados. Misture bem. Acrescente as bananas e as tâmaras. Coloque na forma preparada e leve ao forno por uns 50 minutos (no forno aqui de casa precisei de 1h). Quando faltar 5 minutos para tirar o bolo do forno faça o caramelo:
Coloque os ingredientes em uma panelinha em fogo médio por uns 5 minutos. Mexa algumas vezes para que a mistura não queimar. Tire o bolo do forno, faça uns furos com um garfo, derrame e espalhe o caramelo. Desenforme o bolo quando estiver frio.


Bruschetta para uma janta sem compromisso

Tem dias em que a gente chega em casa com tanta preguiça que nem ousa pensar em fazer algo mais elaborado para o jantar. Hoje foi um dia desses. Precisava de algo rápido, saboroso e que fosse um “acalento” para o meu estômago que já estava nas costas. Ah, tinha que ser algo quente. Então, nada de salada. Olha daqui... Não, torrada não. Olha de lá... Não, espaguete não. Opa! Pão, tomate, azeite de oliva... Bruschetta!


Perfetto!!!

A simplicidade em pão.

O sabor em tomate.

A suavidade em azeite.

O aroma em manjericão.

Essa é a essência deste antipasto.

Para acompanhar abrimos um sauvignon blanc. Tudo degustado preguiçosamente.

Bruschette

20 min.

04 porções

Ingredientes

04 fatias de pão italiano – 1cm de espessura

02 tomates maduros

01 dente grande de alho

Folhas de manjericão

Pimenta do reino moída na hora

Queijo ralado tipo grana padano

Sal a gosto

Azeite de oliva


Pré-aqueça o forno a 200º

Em uma frigideira, no fogo baixo, coloque algumas colheres de azeite de oliva, disponha as fatias de pão para que tostem. Vire as fatias quando as bordas ficarem escuras. Reserve.

Pique os tomates em cubinhos. Em uma frigideira refogue em azeite de oliva o alho fatiado finamente. Coloque os tomates e o sal, misture. Deixe refogando por uns 3 min. Desligue o fogo. Corte grosseiramente as folhas de manjericão. Misture.

Divida o refogado de tomate nas 04 fatias de pão. Dê um toque de pimenta moída na hora e um pouco de queijo ralado. Coloque em uma assadeira e leve ao forno por uns 10 min.



outubro 22, 2010

Pudim de Iogurte para o fim de semana de estudos

Quase final de semestre e muitas apresentações para fazer, traduções e versões para entregar e textos para escrever. Final de semestre é complicado. Final de semestre de final de curso, mais complicado ainda!

Dei uma pequena pausa na elaboração de um trabalho que apresentarei, segunda-feira, para a turma de Terminologia I da professora Maria José que gentilmente me fez o convite para falar de... Terminologia culinária! ÊÊÊÊÊÊ!!!!!!!!! Só espero que a turma goste.

E já que vou ficar o final de semana inteiro em casa estudando, nada como adoçar a vida com este pudim de iogurte. Bem fácil e bem gostoso. Eu, sinceramente, abandonei o pudim de leite condensado e ovos depois que aprendi a fazer este aqui.

A origem: eu almoçava direto no Bar Ocidente quando morava em Porto Alegre e foi lá que conheci este pudim, que é a sobremesa da casa. Procurei por muito tempo a receita e nada. Achei algum tempo atrás num site qualquer. Agora tentei achar o dito para colocar a referência, mas não o localizei. Lamento.



Pudim de Iogurte

Baseado no do Bar Ocidente

Pré-aqueça o forno a 200º

02 potes de iogurte natural (400 ml) usei o caseiro

01 caixa de creme de leite (200ml)

01 caixa de leite condensado (200ml)

(Resumindo: para cada 02 medidas de iogurte, 01 de creme de leite e 01 de leite condensado. Para um pudim maior, dobre a receita)

Em uma tigela misture bem os ingredientes. Molhe uma forma de pudim e coloque o creme de iogurte. Leve ao forno por aproximadamente 50min. Tire do forno e deixe esfriar. Coloque na geladeira por 3h ou até ficar bem gelado.
Atenção: Cuidado na hora de desenformar, pois tem muita calda, ou melhor, soro. Para evitar lambança você pode optar por usar um prato refratário ou ainda ramequins, assim não precisará desenformar.

Não precisa fazer caramelo nem nada, pois ele já tem o soro. Se você preferir algo a mais, pode colocar uma calda (de morango, por exemplo), mas eu particularmente prefiro assim, só ele.


Ficou parecendo um chapéu...

Rend.: aqui em casa dá para duas pessoas...e falta.



outubro 21, 2010

Bolo de Fubá - Porque nem tudo deve ser complicado

Hoje, na orientação do meu estágio de tradução, comentava com a professora Susana Termignoni o quanto é difícil traduzir uma receita, ainda mais quando a receita é do ano de 1853. No meio do meu desabafo chega a professora Florence que é una brava cuoca e que me dará um auxílio “técnico” no texto escolhido. Quando ela leu a receita em questão me lançou a pergunta: Não tinha nada mais fácil, não?! Como um bolo de fubá?!

Ok, estava prometido há tempo e amanhã teremos bolo na aula.

Bolo de Fubá

Xícara medidora de 240 ml

4 ovos – claras e gemas separadas
2 xícaras de farinha de trigo
1 xícara de farinha de milho (fubá)
2 xícaras de açúcar
4 colheres (sopa) de manteiga em temperatura ambiente
1 xícara de leite
3 colheres (chá) de fermento
1 colher (chá) de cremor tártaro

Pré-aqueça o forno a 180º. Unte uma forma com furo no meio e polvilhe com fubá

Peneire a farinha de trigo, o fubá, o fermento e o cremor tártaro. Reserve. Na velocidade média da batedeira bata as claras em neve em picos moles, vá acrescentando aos poucos o açúcar. Acrescente as gemas, a manteiga e o leite. Bata por 1 minuto. Acrescente, a colheradas, as farinhas peneiradas com o fermento e cremor tártaro. Bata até ficar uma massa bem homogênea. Coloque na forma preparada e deixe assar por aproximadamente 1h.

Demorei mais tempo do que o normal, pois é a primeira vez que faço este bolo com receita!!!

Quase na hora de tirar do forno a casa foi tomada por aquele aroma gostoso de bolo quentinho.

Se desejar pode enfeitar com açúcar de confeiteiro.


Rend.: 8 porções.

outubro 20, 2010

A ciência de Artusi

Estou escolhendo a receita que abrirá oficialmente a categoria Artusiana deste blog e tenho me divertido com a leitura do livro La Scienza in Cucina de onde tirarei inspiração para escrever aqui.


O título do livro já adianta para que veio: A ciência na cozinha e a arte de comer bem.

Ciência! Sim, ciência. Mas estamos falando em ciência de 1890-1910, não da ciência contemporânea em que Ferran Adrià baseia a sua gastronomia molecular para criar texturas e sabores impensáveis.

A ciência de Artusi tem a preocupação com a nutrição e a saúde e isto é expresso nos comentários das receitas e no apêndice “Cozinha para os estômagos delicados”.

A receita n. 1 é “Caldo” e no final dela escreve:

“O caldo foi considerado por muito tempo como um ótimo e homogêneo alimento para dar vigor às forças, mas agora os médicos difundem que ele não alimenta e serve para produzir no estômago os sucos gástricos. Eu,não sendo juiz competente nesta matéria, deixarei a eles a responsabilidade desta nova teoria que bem parece repugnar ao bom senso”

A receita n. 2 é Caldo para doentes!!!

Ok, ok. Pode parecer que o livro é um compêndio médico, mas não é. Juro. A leitura é ótima, divertida e as receitas são, na sua grande maioria, fáceis.

Caldos, geleias, molhos, massas (100 receitas!!!) , entradas, pratos frios e muitos mais.

Além da ciência ele fala na arte de comer bem e é aqui que pretendo me deter... agora só não sei por onde começar.

outubro 15, 2010

O milagre da multiplicação do pão... ops, do iogurte

Desde que comecei a ler blogs de culinária e vi a receita do iogurte caseiro feito em garrafa térmica fiquei curiosa. Primeiro porque gosto de fazer eu mesma o que como. Quanto menos conservantes, aromatizantes e outros "antes", melhor. Segundo porque a receita dada pelos bloggers não tem aqueles “bichinhos do iogurte”.

Lembro que minha mãe fazia o iogurte com esses bichinhos (kefir) que se multiplicavam alucinadamente e, como toda vizinhança também fazia iogurte desta maneira, quando atingida a superpopulação e não havia mais ninguém para quem distribuir, minha mãe mandava os coitados ralo a baixo.

Quando cogitamos em fazer iogurte aqui em casa fomos unânimes: de bichinhos, não!!!! Então, quando li no post da Ana e do Vitor Hugo de que é possível sim, fazer iogurte sem estresse algum, não tive dúvidas.

É bem simples e o resultado é muito bom. Mas não estranhe: ao que tudo indica a primeira vez não dá certo mesmo. O primeiro que fiz ficou muito líquido e bem ácido, mas não desisti e ontem fiz novamente. Deixei repousando a noite toda e hoje a primeira coisa que fiz quando levantei foi conferir.
Excelente!

Duas dicas:

- Para a primeira vez utilize um iogurte de boa qualidade. Escolha um que tenha na composição apenas leite integral e fermento lácteo.

- Tenha uma garrafa térmica só para isso, como diz o Vitor Hugo, iogurte com gosto de café não dá, né?!


Iogurte Caseiro

Ingredientes:

- 1 litro de leite integral de boa qualidade

- 2 colheres (sopa) de iogurte natural

Modo de Preparo:

Ferva o leite e deixe amornar (uns 43-45º C). Se não tem um termômetro culinário faça o teste do dedo: se seu dedo suportar ficar mergulhado no leite por 10 segundos você tem a temperatura ideal. Junte as duas colheres de iogurte e mexa bem. Coloque na garrafa térmica, feche bem e deixe quieto.

Eu deixei na garrafa por 5 horas. Fiz à noite e pus na geladeira pela manhã e gostei do resultado, pois ficou cremoso e não muito ácido.

Dura uma semana na geladeira e, para fazer a próxima vez, basta retirar duas colheres deste primeiro e fazer o procedimento novamente. Ou seja, você vai usar este primeiro iogurte para fazer o próximo e assim sucessivamente.

Simples, bacana, saudável, barato! Quer coisa melhor?



Fonte da imagem: http://office.microsoft.com/pt-br/images/results.aspx?qu=iogurte&origin=FX010132103

outubro 13, 2010

Uma pausa para falar deles antes de voltar a eles

Sempre gostei de dicionários. Quando era pequena e passava férias no sítio da minha avó era comum eu e ela brincarmos de... dicionário. Escolhíamos uma palavra e ficávamos inventando definições, descobrindo coisas, tentando pronunciar palavras difíceis. Hoje vejo que não foi por nada que optei em fazer Letras e mais, bacharelado.

O que é um tradutor sem um, ou melhor, sem muitos dicionários? Na-da! Ainda mais em traduções bem específicas, como as traduções técnicas e porque não, culinárias. Passei o dia hoje em função de um texto que estou traduzindo para o meu estágio. É um artigo italiano que explica como se deu o processo de formação do léxico gastronômico na Itália,ou seja, mistura tudo aquilo que gosto: história, culinária, linguística, italiano, tradução. Agora, quando “misturado tudo junto reunido” dá um trabalho! Ô textinho difícil!

Minha mesa está cheia de dicionários de italiano, de culinária, de francês, de português, fora os dicionários on line e mais um de etimologia que tive que descolar, pois a maioria dos termos que aparecem no texto são florentismos, coisas lá de 1800 guaraná de rolha, e mesmo assim tive que deixar coisas para trás. Tão chato eu não saber o que elas significam exatamente.

Minha vontade é de parar tudo, listar todos estes termos, pesquisar as definições e os correspondentes em português e só depois fazer a tradução em si. Seria tão mais tranquilo. :(

Elisa, pena que seu idioma não é o italiano!!!!



outubro 12, 2010

Burro! Burro! Burro!

Descobri faz pouco tempo que quem gosta de linguística e tradução pode se divertir com alguns “brinquedinhos”. São ferramentas que fazem uma “varredura” em textos escolhidos e apresentam relatórios que são utilizados para verificar concordância, léxico, relevância etc. Semana passada fiz um curso rápido sobre Linguística de Corpus e aprendi a usar algumas delas e estou adorando, pois são muito interessantes e super válidas para o trabalho de tradução.

Hoje usei o Textquim para verificar o número de palavras no livro La Scienza in Cucina e ver quais as que aparecem mais.

Para a minha surpresa o ingrediente que é mencionado mais vezes no texto de Artusi é burro (manteiga) com 866 ocorrências. Logo, o título do post não é um xingamento, mas felicidade, pois eu que gosto muito de leite e seus derivados já fiquei bem feliz e já vi que, se vou usar muito do Artusi aqui, vou ter que aumentar meu estoque de manteiga.



Para quem ficou curioso fiz uma lista dos 10+

1. – 866 burro (manteiga)

2. – 673 acqua (água)

3. – 632 zucchero (açúcar)

4. – 533 sale (sal)

5. – 479 farina (farinha)

6. – 446 latte (leite)

7. – 407 uova (ovos)

8. – 381 pepe (pimenta)

9. – 334 olio (óleo)

10. – 330 carne (carne)

Fonte da imagem: http://www.odealvino.com/wp-content/uploads/2010/05/burro.jpg

outubro 10, 2010

O Cinema Italiano com legendas de Pellegrino Artusi

Olhem que legal! Pesquisando ontem algumas coisas sobre Artusi achei o trabalho do artista português Nuno Saraiva que no ano passado expos 15 desenhos com cenas de filmes italianos usando como legenda trechos da obra de Artusi.

Muito bom!





La Dolce Vita (Fellini)


L’Oro di Napoli (De Sica)

 
Fermo Posta (Tinto Brass)

Cucina Artusiana - Motivação

Ouvi falar em Artusi pela primeira vez em 2007 numa aula de cultura italiana com professora Florence Carboni. Foi algo rápido sobre a influência do francês no léxico gastronômico italiano e como havia acontecido tais adaptações. Tempos depois Florence me emprestou um livro sobre língua e identidade italiana e lá encontrei um artigo escrito por Giovanna Frosini sobre a história linguística da Itália por um viés gastronômico e Artusi figurava como o grande nome deste estudo. Foi paixão certa!

Artusi tem permeado minhas pesquisas e cada vez mais me encanto com a sua escrita. O seu livro “La Scienza in Cucina e l’Arte de Mangiar Bene” é uma gostosura de ser lido e tudo que ele escreve parece ser muito fácil de ser executado. Nada de mistérios, apenas truques.

O livro foi lançado em 1891 e reúne 790 receitas regionais italiana de uma maneira muito divertida. Artusi conta histórias, faz piadas e tece comentários inusitados sobre a origem dos pratos e o uso de ingredientes. Leve e instigante.

 

1ª edição - 1891

Decidi escrever este blog para que possamos juntos conhecer um pouco mais sobre a culinária italiana e celebrar aqui um registro culinário e linguístico que é a obra de Artusi. Tentarei trazer receitas originais do livro com o menor número de adaptações possíveis e outras curiosidades relacionadas à gastronomia, ao italiano, à linguística e à tradução (quatro elementos que me movem atualmente).

E por falar em tradução, ano passado a Associação Emiliano-Romagnola Bandeirante de Salto e Itu – São Paulo, lançou a tradução em língua portuguesa do livro de Artusi. “A ciência na Cozinha e a Arte de Comer Bem” conta com uma edição bem cuidada que mantém o tom artusiano de escrever, ou seja, divertido e didático.

outubro 06, 2010

Mangia che te fa bene: aquisição de vocabulário italiano através da culinária

Quando optamos em estudar uma segunda língua é porque existe uma identificação com este idioma. Se indagados, muitos estudantes dos cursos de Letras – Inglês, por exemplo, dirão que a ligação através da música auxiliou ou permeou a escolha da ênfase do curso. Para os que optam pelo francês talvez o cinema ou ainda a sonoridade elegante das palavras pronunciadas tenham chamado a atenção. O russo pode ter sido revelado através da obra de Dostoiévski. O espanhol dado pela proximidade dos países hermanos. Estas podem ser, além da facilidade de escrever e o amor à literatura, as motivações primeiras dos estudantes que buscam o curso de Letras. E, uma vez dentro do curso, as motivações e as identificações estão em constante mudança, pois a partir do momento em que nos inteiramos de uma língua nos inteiramos de sua cultura e essa imersão faz com que os interesses adquiram novas nuances. Música, literatura, gastronomia, arte, história, sociologia, linguística e por que não gramática, estão sempre num movimento de revelação e devemos aproveitar o que elas nos oferecem e de acordo com nossos interesses.

E o que dizer de um idioma que tem uma das culinárias mais difundidas pelo mundo? Literalmente um prato cheio para quem gosta de cozinha e mais: uma ótima ferramenta para aquisição de vocabulário e de conhecimento sócio-cultural, no caso, da Itália. É como juntar o útil ao mais que agradável.

Quando pensamos em Itália logo nos remetemos à comida, talvez pela familiaridade dada pela imigração no estado e a difusão da macarronada, da polenta, da pizza e do vinho, talvez porque seja uma culinária muito simples (mas não menos sofisticada) e com ingredientes geralmente de fácil acesso, muito universais.

Recorrer a livros de culinária italiana e praticar as receitas é um ótimo exercício para que haja progresso na aquisição deste idioma. É mais que afetivo (fator importante neste processo), é sensorial, gustativo, aromático e foi desta maneira que achei a fórmula perfeita para aprender italiano.

Tudo começou com o livro Tavola in Italia. Um livro provavelmente dos anos 80 que ilustra cada região italiana através de sua geografia e produção agrícola e culinária. Começa em Piemonte, considerado por muitos o grande reduto gastronômico do país, e termina em Sardenha. Montanhas, vales, mares, campos, vinhedos, queijos e suas infinitas variedades, vinhos, pães, frutas, verduras, molhos, tipos de peixe, trufas, carnes, caldos, cogumelos, tipos de água, conservas, massas, doces (ah, os doces!). Uma infinidade de palavras que eu, no segundo semestre do curso, mal conseguia pronunciar. Uma infinidade de termos, terminações, tipologias que eu fiz questão de aprender.

São vinte as regiões italianas, cada uma com um infinito de particularidades, ou seja, muito léxico para ser conquistado. Então, mão na massa: comecei a procurar receitas em italiano e a traduzi-las para poder realizá-las. Virou obsessão, pois longe do que pensamos da massa nossa de cada dia e da polenta, a culinária italiana é muito mais ampla. O uso de ervas que aqui no Brasil não utilizamos para cozinhar, ou partes de verduras aqui dispensadas como folhas de beterraba (barbabietola!!!! Palavra que adoro em italiano!) lá são usadas em sopas e caldos. Ou ainda o funcho (erva doce), muito utilizado aqui como chá, aprendi com os cuochi italianos que o seu bulbo é uma delícia na salada ou ao forno. Aliás, funcho em italiano é finocchio que também é como são chamados os homossexuais masculinos na Itália. Ainda não consegui associar... vá saber as motivações pragmáticas de um idioma!

E as descobertas são diárias. Fiquei surpresa quando descobri que a mostarda utilizada no recheio dos tartelli nada tem a ver com os grãos ou o molho de mostarda que estamos habituados, mas sim uma compota picante de fruta, geralmente de maçãs ou peras, condimentadas com grãos de senape (agora sim, mostarda). Ou seja, os falsos cognatos também atacam a cozinha e podem resultar num desastre gastronômico.

Os verbos impastare, mescolare, setacciare e claro, mangiare fazem parte do meu aprendizado cotidianamente.

O mais interessante em focar o aprendizado na gastronomia de um país é que as receitas não são isoladas. Acontecem porque existe uma natureza específica, uma geografia, um solo, um modo de trabalhar a matéria-prima. Existe uma antropologia atrás de cada prato e a sabedoria de um povo nos seus costumes à mesa e buscar estes traços certamente é um belo exercício linguístico que vai além da expectativa de aprender um bocado de palavras. O único problema é que se não controlado há aquisição de, não só uma língua, mas também de uma pancia! Mas isso é só um detalhe...